nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem o abismo, nem qualquer outra criatura
30.11.10
Benedictus XVI pro omnibus Sanctis
18.11.10
Catequese de Bento XVI sobre São João Evangelista (2)
PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006
João, o teólogo
Eis até onde chegou o amor de Jesus por nós: até à efusão do próprio sangue para a nossa salvação! O cristão, detendo-se em contemplação diante deste "excesso" de amor, não pode deixar de reflectir sobre qual é a resposta obrigatória. E penso que sempre e de novo cada um de nós deve interrogar-se sobre isto.
Esta pergunta introduz-nos no terceiro momento da dinâmica do amor: de destinatários receptivos de um amor que nos precede e nos domina, somos chamados ao compromisso de uma resposta activa, que para ser adequada só pode ser uma resposta de amor. João fala de um "mandamento". De facto, ele refere estas palavras de Jesus: "Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei" (Jo 13, 34). Onde está a novidade à qual Jesus se refere? Ela consiste no facto de que não se contenta de repetir o que já era exigido no Antigo Testamento e que lemos nos outros Evangelhos: "Ama o próximo como a ti mesmo" (Lv 19, 18; cf. Mt 22, 37-39; Mc 12, 29-31; Lc 10, 27). No antigo preceito o critério normativo era presumido a partir do homem ("como a ti mesmo"), enquanto que no preceito mencionado por João, Jesus apresenta como motivo e norma do nosso amor a sua própria pessoa: "Como Eu vos amei". É assim que o amor se torna verdadeiramente cristão, levando em si a novidade do cristianismo: quer no sentido de que ele deve destinar-se a todos sem distinções, quer porque deve sobretudo chegar até às últimas consequências, tendo unicamente como medida chegar ao extremo. Aquelas palavras de Jesus, "como Eu vos amei", convidam-nos e ao mesmo tempo preocupam-nos; são uma meta cristológica que pode parecer inalcançável, mas são, ao mesmo tempo, um estímulo que não nos permite acomodar-nos no que podemos realizar. Não permite que nos contentemos do que somos, mas estimula-nos a permanecer a caminho rumo a esta meta.
Aquele texto áureo de espiritualidade que é o pequeno livro do final da Idade Média intitulado Imitação de Cristo escreve a este propósito: "O nobre amor de Jesus estimula-nos a realizar coisas grandes e a desejar coisas sempre mais perfeitas. O amor quer estar no alto e não ser aprisionado por baixeza alguma. O amor quer ser livre e separado de qualquer afecto mundano... de facto, o amor nasceu de Deus, e só pode repousar em Deus acima de todas as coisas criadas. Quem ama voa, corre e rejubila, é livre, e nada o retém. Dá tudo a todos e tem tudo em todas as coisas, porque encontra repouso no Único grande que está acima de todas as coisas, do qual brota e provém qualquer bem" (livro III, cap. 5). Qual melhor comentário do que o "mandamento novo", enunciado por João? Pedimos ao Pai que o possamos viver, mesmo se sempre de modo imperfeito, tão intensamente que contagiemos a todos os que encontrarmos no nosso caminho.Read more at www.vatican.va
Catequese de Bento XVI sobre S. João Evangelista
PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006
João, o teólogo
Se existe um assunto característico que mais sobressai nos escritos de João, é o amor. Não foi por acaso que quis iniciar a minha primeira Carta encíclica com as palavras deste Apóstolo: "Deus é amor (Deus caritas est); quem está no amor habita em Deus e Deus habita nele" (1 Jo 4, 16). É muito difícil encontrar textos do género noutras religiões. Portanto, tais expressões põem-nos diante de um dado verdadeiramente peculiar do cristianismo. Certamente João não é o único autor das origens cristãs que fala do amor. Sendo este um elemento essencial do cristianismo, todos os escritores do Novo Testamento falam dele, mesmo se com acentuações diferentes. Se agora nos detemos a reflectir sobre este tema em João, é porque ele nos traçou com insistência e de modo incisivo as suas linhas principais. Portanto, confiemo-nos às suas palavras. Uma coisa é certa: ele não reflecte de modo abstracto, filosófico, ou até teológico, sobre o que é o amor. Não, ele não é um teórico. De facto, o verdadeiro amor, por sua natureza, nunca é meramente especulativo, mas faz referência directa, concreta e verificável a pessoas reais. Pois bem, João, como apóstolo e amigo de Jesus mostra-nos quais são os componentes ou melhor as fases do amor cristão, um movimento caracterizado por três momentos.
O primeiro refere-se à própria Fonte do amor, que o Apóstolo coloca em Deus, chegando, como ouvimos, a afirmar que "Deus é amor" (1 Jo 4, 8.16). João é o único autor do Novo Testamento que nos dá uma espécie de definição de Deus. Ele diz, por exemplo, que "Deus é Espírito" (Jo 4, 24) ou que "Deus é luz" (1 Jo 1, 5). Aqui proclama com intuição resplandecente que "Deus é amor". Observe-se bem: não é simplesmente afirmado que "Deus ama", nem sequer que "o amor é Deus"! Por outras palavras: João não se limita a descrever o agir divino, mas procede até às suas raízes. Além disso, não pretende atribuir uma qualidade a um amor genérico e talvez impessoal; não se eleva do amor a Deus, mas dirige-se directamente a Deus para definir a sua natureza com a dimensão infinita do amor. Com isto João deseja dizer que o constitutivo essencial de Deus é o amor e, portanto, toda a actividade de Deus nasce do amor e está orientada para o amor: tudo o que Deus faz é por amor, mesmo se nem sempre podemos compreender imediatamente que Ele é amor, o verdadeiro amor.
Mas, a este ponto é indispensável dar um passo em frente e esclarecer que Deus demonstrou concretamente o seu amor entrando na história humana mediante a pessoa de Jesus Cristo, que encarnou, morreu e ressuscitou por nós. Este é o segundo momento constitutivo do amor de Deus. Ele não se limitou às declarações verbais, mas, podemos dizer, empenhou-se verdadeiramente e "pagou" em primeira pessoa. Como escreve precisamente João, "Tanto amou Deus o mundo (isto é: todos nós) que lhe entregou o seu Filho Unigénito" (Jo 3, 16). Agora, o amor de Deus pelos homens concretiza-se e manifesta-se no amor do próprio Jesus. João escreve ainda: Jesus "que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo" (Jo 13, 1). Em virtude deste amor oblativo e total nós somos radicalmente resgatados do pecado, como escreve ainda São João: "Filhinhos meus... se alguém pecar, temos junto do Pai um advogado, Jesus Cristo, o Justo, pois Ele é a vítima que expia os nossos pecados, e não somente os nossos, mas também os de todo o mundo" (1 Jo 2, 1-2; cf. 1 Jo 1, 7). Eis até onde chegou o amor de Jesus por nós: até à efusão do próprio sangue para a nossa salvação! O cristão, detendo-se em contemplação diante deste "excesso" de amor, não pode deixar de reflectir sobre qual é a resposta obrigatória. E penso que sempre e de novo cada um de nós deve interrogar-se sobre isto.Read more at www.vatican.va
15.11.10
Benedictus XVI: «Una unica familia humana»
9.11.10
Bendictus XVI: «sine valoribus societas non crescit»
7.11.10
Imã de Nazaré é indiciado por incitar a violência contra o Papa Bento XVI e por apoio a "Jihad global"
Segundo a imformação do The Jerusalem Post o Imã de Nazaré foi indiciado nesse domingo, por apoiar organizações terroristas, mas precisamente a al-Qaeda e por incitar a violência contra o Papa Bento XVI.
Nazim Salim Mahmoud, foi preso pelo Shin Bet (Agência de Segurança Israelense), depois que um dos assassinos do tezista Judeu Yafim Weinstein, ter confessado que os sermões de Nazim serviu de inspiração para a sua Jihad.
A acusação afirma que Salim deu sermões distribuiu e panfletos aos fiéis em sua mesquita encitando-os a atentar contra o Estado. Ele foi acusado de chamar seus seguidores a agir com violência em várias ocasiões. Além disso, a acusação afirma que ele criou um site para apoiar a jihad global.
Além da Shihab-Din uma mesquita em Nazaré, Salim também pregou em várias outras mesquitas, incluindo a Mesquita al-Asqa em Jerusalém, a terceira mais sagrada do Islã.
Salim já tinha chamado à jihad contra soldados israelenses, o papa, e todos os alvos que segundo ele "causam danos ao Islã". O imã foi citado como tendo dito que "os judeus são Satanás," e " Osama bin Laden é amado por Deus ", segundo a Rádio do Exército.
O Estado solicitou que a prisão de Salim seja prorrogada até o fim do processo contra ele.
Quando o Papa Bento XVI visitou à Terra Santa em Maio de 2009, Salim preferiu um sermão em al-Aqsa dizendo: "O Papa deixa os portões do Vaticano à frente de uma cruzada contra o mundo islâmico ... vamos expulsar o papa da Nazaré ..."
A prisão de Salim veio poucos meses depois da condenação do líder do braço norte do Movimento Islâmico o xeque Raed Salah, que foi condenado a cinco meses de prisão por atacar um oficial da polícia de Jerusalém.
De Olho na Jihad 11/2010Read more at olhonajihad.blogspot.com
16.10.10
Simus cum Benedicto XVI et mulieribus pulchrissimis
PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL Praça de São Pedro
Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010
[Vídeo de todo o evento]
Estimados irmãos e irmãsHoje gostaria de vos falar de Santa Matilde de Hackeborn, uma das grandes figuras do mosteiro de Helfta, que viveu no século XIII. A sua irmã de hábito, Santa Gertrudes a Grande, no livro VI da obra Liber specialis gratiae (O livro da graça especial), em que são narradas as graças especiais que Deus concedeu a Santa Matilde, afirma assim: «O que escrevemos é muito pouco em comparação com o que omitimos. Publicamos estas coisas só para a glória de Deus e a utilidade do próximo, porque nos pareceria injusto manter o silêncio sobre as numerosas graças que Matilde recebeu de Deus, não tanto para si mesma, na nossa opinião, mas para nós e para aqueles que vierem depois de nós» (Mechthild von Hackeborn, Liber specialis gratiae, VI, 1).Esta obra foi redigida por Santa Gertrudes e por outra irmã de hábito de Helfta, e contém uma história singular. Matilde, com cinquenta anos de idade, atravessava uma grave crise espiritual, unida a sofrimentos físicos. Nesta condição, confiou as duas irmãs de hábito amigas, as graças especiais com que Deus a tinha guiado desde a infância, mas não sabia que elas anotavam tudo. Quando o veio a saber, ficou profundamente angustiada e perturbada. Porém, o Senhor tranquilizou-a, fazendo-lhe compreender que quanto estava a ser escrito era para a glória de Deus e a vantagem do próximo (cf. ibid., II, 25; V, 20). Assim, esta obra é a fonte principal da qual haurir as informações sobre a vida e a espiritualidade da nossa Santa.Com ela, somos introduzidos na família do Barão de Hackeborn, uma das mais nobres, ricas e poderosas da Turíngia, aparentada com o imperador Frederico II, e entramos no mosteiro de Helfta no período mais glorioso da sua história. O Barão já tinha dado ao mosteiro uma filha, Gertrudes de Hackeborn (1231/1232 — 1291/1292), dotada de uma personalidade acentuada, Abadessa por quarenta anos, capaz de dar um cunho peculiar à espiritualidade do mosteiro, levando-o a um florescimento extraordinário como centro de mística e de cultura, escola de formação científica e teológica. Gertrudes ofereceu às monjas uma elevada educação intelectual, que lhes permitia cultivar uma espiritualidade fundada na Sagrada Escritura, na Liturgia, na Tradição patrística, na Regra e na espiritualidade cisterciense, com preferência especial por São Bernardo de Claraval e Guilherme de Saint-Thierry. Foi uma verdaderia mestra, exemplar em tudo, na radicalidade evangélica e no zelo apostólico. Desde a infância, Matilde acolheu e saboreou o clima espiritual e cultural criado pela irmã, oferecendo depois a sua contribuição pessoal.Matilde nasce em 1241, ou 1242, no castelo de Helfta; é a terceira filha do Barão. Com sete anos de idade, visita com a mãe a irmã Gertrudes no mosteiro de Rodersdorf. Fica tão fascinada por aquele ambiente, que deseja ardentemente fazer parte dele. Entra como educanda e, em 1258, torna-se monja no convento que, entretanto, se tinha transferido para Helfta, na quinta dos Hackeborn. Distingue-se por humildade, fervor, amabilidade, pureza e inocência de vida, familiaridade e intensidade com que vive a relação com Deus, a Virgem e os Santos. É dotada de elevadas qualidades naturais e espirituais, como «a ciência, a inteligência, o conhecimento das letras humanas, a voz de uma suavidade maravilhosa: tudo a tornava apta para ser no mosteiro um autêntico tesouro, sob todos os aspectos» (Ibid., Introdução). Assim, «o rouxinol de Deus» — como é chamada — ainda muito jovem, torna-se directora da escola do mosteiro, directora do coro, mestra das noviças, serviços que desempenha com talento e zelo incansável, não só em vantagem das monjas, mas de quem quer que desejasse haurir da sua sabedoria e bondade.Iluminada pelo dom divino da contemplação mística, Matilde compõe numerosas orações. É mestra de doutrina fiel e de grande humildade, conselheira, consoladora e guia no discernimento: «Ela — lê-se — transmitia a doutrina com tal abundância, que jamais se tinha visto no mosteiro e, infelizmente, tememos que nunca mais se verá algo de semelhante. As religiosas reuniam-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus, como se fosse um pregador. Era o refúgio e a consoladora de todos e, como dom singular de Deus, tinha a graça de revelar livremente os segredos do coração de cada um. Muitas pessoas, não só no Mosteiro, mas também estranhos, religiosos e seculares, vindos de longe, testemunhavam que esta santa virgem os tinha libertado dos seus sofrimentos e que nunca haviam experimentado tanta consolação como nela. Além disso, compôs e ensinou tantas orações que, se fossem reunidas, excederiam o volume de um saltério» (Ibid., VI, 1).Em 1261 chegou ao convento uma criança de cinco anos, chamada Gertrudes: é confiada aos cuidados de Matilde, com apenas vinte anos, que a educa e guia na vida espiritual, a ponto de fazer dela não só a discípula excelente, mas também a sua confidente. Em 1271, ou 1272, entra no mosteiro também Matilde de Magdeburgo. Assim, o lugar acolhe quatro grandes mulheres — duas Gertrudes e duas Matildes — glória do monaquismo germânico. Na longa vida transcorrida no mosteiro, Matilde é afligida por sofrimentos contínuos e intensos, aos quais se acrescentam as duríssimas penitências escolhidas para a conversão dos pecadores. Deste modo, participa na paixão do Senhor até ao fim da sua vida (cf. ibid., VI, 2). A oração e a contemplação são ohúmus vital da sua existência: as revelações, os seus ensinamentos, o seu serviço ao próximo, o seu caminho na fé e no amor encontram aqui a sua raiz e o seu contexto. No primeiro livro da obraLiber specialis gratiae, as redactoras reúnem as confidências de Matilde, cadenciadas nas festas do Senhor, dos Santos e, de modo especial, da Bem-Aventurada Virgem. É impressionante a capacidade que esta Santa tem de viver a Liturgia nos seus vários componentes, mesmo as mais simples, levando-a na vida monástica quotidiana. Algumas imagens, expressões e aplicações às vezes estão longe da nossa sensibilidade mas, se se consideram a vida monástica e a sua tarefa de mestra e directora de coro, compreende-se a sua capacidade singular de educadora e formadora, que ajuda as irmãs de hábito a viver intensamente, a partir da Liturgia, cada momento da vida monástica.Na oração litúrgica, Matilde dá realce particular às horas canónicas, à celebração da Santa Missa e sobretudo à Sagrada Comunhão. Aqui é com frequência arrebatada em êxtase, numa profunda intimidade com o Senhor, no seu Coração ardentíssimo e dulcíssimo, num diálogo maravilhoso em que pede luzes interiores, enquanto intercede de modo especial pela sua comunidade e pelas suas irmãs de hábito. No centro estão os mistérios de Cristo, aos quais a Virgem Maria se refere constantemente para caminhar pela vida da santidade: «Se tu desejas a verdadeira santidade, está perto do meu Filho; Ele é a própria santidade, que santifica todas as coisas» (Ibid., I, 40). Nesta sua intimidade com Deus estão presentes o mundo inteiro, a Igreja, os benfeitores e os pecadores. Para ela, Céu e terra unem-se.As suas visões, os seus ensinamentos e as vicissitudes da sua existência são descritos com expressões que evocam a linguagem litúrgica e bíblica. É assim que se entende o seu profundo conhecimento da Sagrada Escritura, que era o seu pão de cada dia. Recorre a ela continuamente, quer valorizando os textos bíblicos lidos na liturgia, quer haurindo símbolos, termos, paisagens, imagens e personagens. A sua predilecção é pelo Evangelho: «As palavras do Evangelho eram para ela um alimento maravilhoso e suscitavam no seu coração sentimentos de tanta docilidade, que muitas vezes, pelo entusiasmo, não conseguia terminar a sua leitura... O modo como lia aquelas palavras era tão fervoroso, que em todos suscitava a devoção. Assim também, quando cantava no coro, vivia totalmente absorvida em Deus, transportada por tanto ardor que às vezes manifestava os seus sentimentos com gestos... Outras vezes, como que arrebatada em êxtase, não ouvia quantos a chamavam ou a moviam, e mal conseguia retomar o sentido das coisas exteriores» (Ibid., VI, 1). Numa das visões, é o próprio Jesus quem lhe recomenda o Evangelho: abrindo-lhe a chaga do seu dulcíssimo Coração, diz-lhe: «Considera como é imenso o meu amor: se quiseres conhecê-lo bem, em nenhum lugar o encontrarás expresso mais claramente do que no Evangelho. Ninguém jamais ouviu alguém manifestar sentimentos mais fortes e mais ternos do que estes: Assim como o meu Pai me amou, também Eu vos vos amei (Joan. XV, 9)» (Ibid., I, 22).Caros amigos, a oração pessoal e litúrgica, especialmente a Liturgia das Horas e a Santa Missa, estão na raiz da experiência espiritual de Santa Matilde de Hackeborn. Deixando-se guiar pela Sagrada Escritura e alimentar pelo Pão eucarístico, Ela percorreu um caminho de união íntima com o Senhor, sempre em plena fidelidade à Igreja. Isto é para nós também um forte convite a intensificar a nossa amizade com o Senhor, sobretudo através da oração quotidiana e a participação atenta, fiel e concreta na Santa Missa. A Liturgia é uma grande escola de espiritualidade.A discípula Gertrudes descreve com expressões intensas os últimos momentos da vida de Santa Matilde de Hackeborn, duríssimos mas iluminados pela presença da Beatíssima Trindade, do Senhor, da Virgem Maria e de todos os Santos, mas inclusive da irmã de sangue, Gertrudes. Quando chegou a hora em que o Senhor quis chamá-la para junto de Si, ela pediu-lhe para poder viver ainda no sofrimento, para a salvação das almas, e Jesus compadeceu-se deste ulterior sinal de amor.Matilde tinha 58 anos. Percorreu a última etapa caracterizada por oito anos de graves doenças. A sua obra e a sua fama de santidade difundiram-se amplamente. Quando chegou a sua hora, «o Deus de Majestade... única suavidade da alma que O ama... cantou-lhe: Venite vos, benedicti Patris mei... Vinde, ó vós que sois os benditos do meu Pai, vinde receber o reino... e associou-o à sua glória» (Ibid., VI, 8).Santa Matilde de Hackeborn confia-nos ao Sagrado Coração de Jesus e à Virgem Maria. Convida a louvar o Filho com o Coração da Mãe e a louvar Maria com o Coração do Filho: «Saúdo-te, ó Virgem veneradíssima, naquele orvalho dulcíssimo que do Coração da Santíssima Trindade se difundiu em ti; saúdo-te na glória e no júbilo com que agora te alegras eternamente, Tu que por preferência a todas as criaturas da terra e do Céu, foste eleita ainda antes da criação do mundo! Amém» (Ibid., I, 45).
ApeloDirijo os meus pensamentos também para a grave crise humanitária que atingiu recentemente a Nigéria setentrional, onde dois milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar as próprias casas por causa das graves inundações. A quantos foram atingidos exprimo a minha proximidade espiritual e garanto as minhas orações.SaudaçãoSaúdo, com fraterna amizade, os peregrinos vindos de Portugal e de demais países de língua portuguesa, cuja romagem se detém hoje junto do túmulo de São Pedro e nesta Audiência com o seu Sucessor: Obrigado pela vossa presença e oração! Peço a Cristo Senhor que guarde no seu Coração Sagrado as vossas famílias e comunidades cristãs, abençoando a todos com a sua paz e o seu amor.
PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL Praça de São Pedro
Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010 Santa Gertrudes
Resumos em castelhano, inglês, italiano e alemão:
[Auditote omnia verba] Amados irmãos e irmãs!
Santa Gertrudes, a Grande, de quem gostaria de vos falar hoje, leva-nos esta semana ao mosteiro de Helfta, onde nasceram algumas das obras-primas da literatura religiosa feminina latino-alemã. É a este mundo que pertence Gertrudes, uma das místicas mais famosas, única mulher da Alemanha que recebeu o apelativo «Grande», pela estatura cultural e evangélica: com a sua vida e pensamento, ela incidiu de modo singular sobre a espiritualidade cristã. É uma mulher extraordinária, dotada de particulares talentos naturais e de excepcionais dons de graça, de humildade profundíssima e de zelo ardente pela salvação do próximo, de íntima comunhão com Deus na contemplação e de prontidão no socorro aos necessitados. Em Helfta confronta-se, por assim dizer, sistematicamente, com a sua mestra Matilde de Hackeborn, da qual falei na Audiência da quarta-feira passada; entra em relacionamento com Matilde de Magdeburgo, outra mística medieval; e cresce sob o cuidado materno, dócil e exigente, da Abadessa Gertrudes. Destas três irmãs de hábito ela enriquece-se com tesouros de experiência e sabedoria; elabora-os numa síntese sua, percorrendo o seu itinerário religioso com confiança ilimitada no Senhor. Exprime a riqueza da espiritualidade não apenas do seu mundo monástico, mas também e sobretudo do bíblico, litúrgico, patrístico e beneditino, com um timbre extremamente pessoal e com grande eficácia comunicativa. Nasceu no dia 6 de Janeiro de 1256, festa da Epifania, mas nada se sabe dos seus pais, nem do lugar de nascimento. Gertrudes escreve que o próprio Senhor lhe revela o sentido deste seu primeiro desarraigamento: «Escolhi-a como minha morada, porque me apraz que tudo quanto existe de amável nela seja minha obra [...] Foi precisamente por este motivo que a afastei de todos os seus parentes, a fim de que ninguém a amasse por razão de consanguinidade, e Eu fosse o único motivo do afecto que se lhe reserva» (Le Rivelazioni, i, 16, Sena 1994, pp. 76-77). Entra no mosteiro com cinco anos, em 1261, como era costume naquela época, para a formação e o estudo. Ali transcorreu toda a sua existência, da qual ela mesma assinala as etapas mais significativas. Nas suas memórias, recorda que o Senhor a preveniu com paciência longânime e misericórdia infinita, esquecendo os anos da infância, adolescência e juventude, transcorridos — escreve — «em tal ofuscamento da mente, que teria sido capaz [...] de pensar, dizer ou fazer sem qualquer remorso tudo aquilo que me fosse do meu agrado e onde quer eu pudesse, se tu me tivesses prevenido, quer com um ínsito horror do mal e uma inclinação natural para o bem, quer com a vigilância externa dos outros. Ter-me-ia comportado como uma pagã [...] e isto, embora tu quisesses que desde a infância, ou seja a partir do meu quinto ano de idade, eu habitasse no santuário bendito da religião, para ali ser educada no meio dos teus amigos mais devotos» (Ibid.,ii, 23, p. 140 s.). Gertrudes é uma estudante extraordinária, aprende tudo quanto se pode aprender das ciências do Trívio e do Quadrívio, a formação daquela época; é fascinada pelo saber e dedica-se ao estudo profano com fervor e tenacidade, alcançando êxitos escolares para além de qualquer expectativa. Embora nada saibamos das suas origens, ela diz-nos muito das suas paixões juvenis: a literatura, a música, o canto e a arte da miniatura conquistam-na; tem uma índole forte, decidida, imediata e impulsiva; diz com frequência que é negligente; reconhece os seus defeitos e pede humildemente perdão pelos mesmos. Com humildade, pede conselhos e orações pela sua conversão. Há características do seu temperamento e defeitos que a acompanham até ao fim, a ponto de causar admiração a certas pessoas que se interrogam como o Senhor a prefere tanto. Como estudante, passa a consagrar-se totalmente a Deus na vida monástica e, durante vinte anos, não acontece nada de extraordinário: o estudo e a oração são a sua actividade principal. Pelos seus dotes, sobressai entre as irmãs de hábito; é tenaz na consolidação da sua cultura em diversos campos. Mas, durante o Advento de 1280, começa a sentir desgosto por tudo isto, sente vaidade disto e, a 27 de Janeiro de 1281, poucos dias antes da festa da Purificação da Virgem, por volta da hora das Completas, à noite, o Senhor ilumina as suas densas trevas. Com suavidade e docilidade, acalma a inquietação que a angustia, inquietação que Gertrudes vê como um dom do próprio Deus, «para abater aquela torre de vaidade e de curiosidade que, embora infelizmente tivesse o nome e o hábito de religiosa, eu ia erguendo com a minha soberba, para encontrar pelo menos assim o caminho para me mostrar a tua salvação» (Ibid., ii, 1, p. 87). Ela tem a visão de um jovem que a leva a superar o enredo de espinhos que oprime a sua alma, guiando-a pela mão. Naquela mão, «o traço precioso daquelas chagas que abrogaram todos os actos de acusação dos nossos inimigos» (Ibid., ii, 1, p. 89), reconhece Aquele que, na Cruz, nos salvou com o seu sangue, Jesus. A partir daquele momento, a sua vida de íntima comunhão com o Senhor intensifica-se, sobretudo nos tempos litúrgicos mais significativos — Advento-Natal, Quaresma-Páscoa, festa da Virgem — mesmo quando, doente, não podia ir ao coro. É o mesmo húmus litúrgico de Matilde, sua mestra, que contudo Gertrudes descreve com imagens, símbolos e termos mais simples e lineares, mais realistas, com referências mais directas à Bíblia, aos Padres e ao mundo beneditino. A sua biógrafa indica dois rumos daquela que poderíamos definir uma sua particular conversão»: nos estudos, com a passagem radical dos estudos humanísticos profanos para os teológicos e, na observância monástica, com a passagem da vida que ela define negligente para a vida de oração intensa e mística, com um ardor missionário extraordinário. O Senhor, que a tinha escolhido desde o seio materno e desde criança a tinha levado a participar no banquete da vida monástica, chama-a com a sua graça «das coisas externas para a vida interior e das ocupações terrenas para o amor das realidades espirituais». Gertrudes compreende que está distante dele, na região da dissemelhança, como ela diz com Santo Agostinho; que se tinha dedicado com demasiada avidez aos estudos liberais, à sabedoria humana, descuidando a ciência espiritual, privando-se do gosto da verdadeira sabedoria; agora é conduzida para o monte da contemplação, onde deixa o homem velho para se revestir do novo. «De gramática torna-se teóloga, com a leitura incansável e atenta de todos os livros sagrados que podia ter ou encontrar, enchia o seu coração com as frases mais úteis e dóceis da Sagrada Escritura. Por isso, tinha sempre pronta alguma palavra inspirada e de edificação com a qual satisfazer quem ia consultá-la e, ao mesmo tempo, os textos das Escrituras mais adequados para rejeitar qualquer opinião errada e fechar a boca aos seus opositores» (Ibid.,i, 1, p. 25). Gertrudes transforma tudo isto em apostolado: dedica-se a escrever e divulgar a verdade de fé com clareza e simplicidade, graça e persuasão, servindo a Igreja com amor e fidelidade, a ponto de ser útil e agradável aos teólogos e às pessoas piedosas. Resta-nos pouco desta sua intensa actividade, também por causa das vicissitudes que levaram à destruição do mosteiro de Helfta. Além do Arauto do amor divino ou das Revelações, dispomos ainda dos Exercícios espirituais, uma jóia rara da literatura mística espiritual. Na observância religiosa, a nossa Santa é «uma coluna sólida [...] firmíssima propugnadora da justiça e da verdade» (Ibid., i, 1, p. 26), diz a sua biógrafa. Com as palavras e com o exemplo, suscita nos outros um grande fervor. Às orações e às penitências da regra monástica acrescenta outras, com tanta devoção e tal abandono confiante em Deus, que chega a suscitar naqueles que a encontram a consciência de estar na presença do Senhor. E com efeito, é o próprio Deus que a leva a compreender que a chamou para ser instrumento da sua Graça. Deste imenso tesouro divino, Gertrudes sente-se indigna, e confessa que não o conservou nem valorizou. Exclama: «Ai de mim! Se Tu me tivesses dado como tua recordação, indigna como sou, até um único fio de estopa, contudo eu deveria ter considerado com maior respeito e reverência quanto recebi dos teus dons!» (Ibid., II, 5, p. 100). Mas, reconhecendo a sua pobreza e a sua indignidade, ela adere à vontade de Deus, «porque — afirma — aproveitei tão pouco das tuas graças que não consigo acreditar que tenham sido concedidas unicamente a mim, dado que a tua sabedoria eterna não pode ser frustrada por ninguém. Faz, portanto, ó Doador de todo o bem, que me concedeste gratuitamente dádivas tão indevidas que, lendo este escrito, o coração de pelo menos um dos teus amigos se comova ao pensamento de que o zelo das almas te induziu a deixar por tanto tempo uma gema de valor tão inestimável no meio do barro abominável do meu coração» (Ibid., ii, 5, p. 100 s.). Em particular, dois favores são-lhe mais queridos que todos os outros, como a própria Gertrudes escreve: «Os estigmas das tuas chagas salubres que me imprimiste, como se fossem colares preciosos, no coração; e a profunda e salutar ferida de amor com que me marcaste. Tu inundaste-me com estes dons de tanta bem-aventurança que, mesmo se eu vivesse mil anos sem qualquer consolação interna ou externa, a sua recordação seria suficiente para me confortar, iluminar e encher de gratidão. Quiseste ainda introduzir-me na intimidade inestimável da tua amizade, abrindo-me de várias formas aquele sacrário nobilíssimo da sua Divindade, que é o teu Coração divino [...] A este acúmulo de benefícios acrescentaste outro, concedendo-me como Advogada a Santíssima Virgem Maria, tua Mãe, e recomendando-me com frequência ao seu carinho, como o mais fiel dos esposos poderia recomendar à própria mãe a sua dilecta esposa» (Ibid., ii, 23, p. 145). Orientada para a comunhão sem fim, conclui a sua vicissitude terrena no dia 17 de Novembro de 1301, ou 1302, com cerca de 46 anos. No sétimo Exercício, o da preparação para a morte, Santa Gertrudes escreve: «Ó Jesus, Tu que me és imensamente querido, está sempre comigo, para que o meu coração permaneça contigo e o teu amor persevere comigo, sem possibilidade de separação, e o meu trânsito seja abençoado por ti, de tal modo que o meu espírito, livre dos vínculos da carne, possa encontrar repouso imediatamente em ti. Amém!» (Esercizi, Milão 2006, p. 148). Parece-me óbvio que estas não são apenas coisas do passado, históricas, mas a existência de Santa Gertrudes permanece uma escola de vida cristã, de caminho recto, e mostra-nos que o centro de uma vida feliz, de uma vida autêntica, é a amizade com Jesus, o Senhor. E esta amizade aprende-se no amor pela Sagrada Escritura, no amor pela liturgia, na fé profunda, no amor por Maria, de maneira a conhecer cada vez mais realmente o próprio Deus e assim a verdadeira felicidade, a meta da nossa vida. Obrigado!
SaudaçãoAmados peregrinos de língua portuguesa, a minha cordial saudação para todos, em particular para os grupos do Brasil e de Portugal, da paróquia dos Milagres na Bidoeira. Este mês do Rosário incita-nos a perseverar na reza diária do terço; que, desta forma, as vossas famílias se reúnam com a Virgem Mãe, para aprender a cooperar plenamente com os desígnios de salvação que Deus tem sobre vós. Como encorajamento e penhor de graças, de coração vos dou a minha Bênção Apostólica.
26.9.10
Papa Benedictus XVI: Origenes Adamantius cogitatio eiusque (2)
PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Quarta-feira, 2 de Maio 2007
Queridos irmãos e irmãs!
A catequese de quarta-feira passada foi dedicada à grande figura de Orígenes, doutor de Alexandria dos séculos II-III. Naquela catequese tomámos em consideração a vida e a produção literária do grande mestre de Alexandria, indicando na "tríplice leitura" da Bíblia, por ele conotada, o núcleo animador de toda a sua obra. Deixei de parte para os retomar hoje dois aspectos da doutrina origeniana, que considero entre os mais importantes e actuais: pretendo falar dos seus ensinamentos sobre a oração e sobre a Igreja.
25.9.10
Mulieribus pulchrissimis cum simus
Nesta senda, o Papa dedicou algumas catecheses em Setembro a duas mulheres fortes: a Sancta Hildegarda de Bingen, já falada pelo Luís a propósito da música, e a Sancta Clara de Assis. Ouvide os resumos das mesmas e se para mais multiplicardes o vosso tempo precioso lede os todos os textos:
22.9.10
O sucesso da visita papal ao Reino Unido (2)
Benedicto XVI ya no es un “Rottweiller” (raza de perro alemán de gran agresividad), como le calificaron los tabloides ingleses en el momento de su elección como sucesor de Juan Pablo II, sino alguien no sólo humano sino incluso con aureola de santidad. “¿Rottweiller? No, es un abuelo santo”, titula “The Sunday Times”, el domininal de calidad de mayor tirada del país. “Fue etiquetado como demonio y martillo de gays, pero Gran Bretaña rápidamente ha aprendido a querer al Papa”, dice este periódico. “The Sunday Telegraph” insiste: “Disipado el mito de Rottweiler”. La masiva simpatía mostrada por los británicos hacia el Santo Padre durante este viaje, con el simbolismo ayer de un Hyde Park y un centro de Londres repleto de personas que querían saludar al Papa, ha acabado por superar muchos prejuicios en el establishment inglés. Incluso “The Observer”, el dominal de izquierdas, ha optado por un jubiloso Benedicto XVI para su portada, relegando a un rincón la información sobre las protestas contra el Papa día anterior. El entorno del Papa se muestra especialmente satisfecho por el desarrollo del viaje, consciente de la influencia de la prensa anglosajona en todo el mundo. En este contexto, las fuertes palabras de Benedicto XVI pronunciadas ayer en relación a la controversia sobre la pederastia podrían marcar un cambio de rasante en la polémica. El propio Santo Padre ha querido reunirse con los responsables de la oficina de prensa del arzobispado de Westminster y con quienes gestionan localmente todo lo relacionado con la pederastia para agradecerles el directo y eficaz modo con que están gestionando este asunto.
Benedicto XVI ya no es un “Rottweiller” (raza de perro alemán de gran agresividad), como le calificaron los tabloides ingleses en el momento de su elección como sucesor de Juan Pablo II, sino alguien no sólo humano sino incluso con aureola de santidad. “¿Rottweiller? No, es un abuelo santo”, titula “The Sunday Times”, el domininal de calidad de mayor tirada del país. “Fue etiquetado como demonio y martillo de gays, pero Gran Bretaña rápidamente ha aprendido a querer al Papa”, dice este periódico. “The Sunday Telegraph” insiste: “Disipado el mito de Rottweiler”. La masiva simpatía mostrada por los británicos hacia el Santo Padre durante este viaje, con el simbolismo ayer de un Hyde Park y un centro de Londres repleto de personas que querían saludar al Papa, ha acabado por superar muchos prejuicios en el establishment inglés. Incluso “The Observer”, el dominal de izquierdas, ha optado por un jubiloso Benedicto XVI para su portada, relegando a un rincón la información sobre las protestas contra el Papa día anterior. El entorno del Papa se muestra especialmente satisfecho por el desarrollo del viaje, consciente de la influencia de la prensa anglosajona en todo el mundo. En este contexto, las fuertes palabras de Benedicto XVI pronunciadas ayer en relación a la controversia sobre la pederastia podrían marcar un cambio de rasante en la polémica. El propio Santo Padre ha querido reunirse con los responsables de la oficina de prensa del arzobispado de Westminster y con quienes gestionan localmente todo lo relacionado con la pederastia para agradecerles el directo y eficaz modo con que están gestionando este asuntoRead more at www.religionenlibertad.com
O sucesso da visita papal ao Reino Unido
O mesmo fenómeno que ocorreu cá em Portugal, mas com maior alcance dada a projecção da língua inglesa e dos seus media.
Los británicos han visto directamente al Papa y «las cosas como son» y ya no lo que cierto periodismo ha querido presentar.
Anna Arco, vaticanista británica, colaboradora de numerosas publicaciones especializadas, ha confesado sufrir “PPD", es decir, Post Papal Depression.
Quizás, en la gigantesca mole de artículos escritos en estas horas para hacer un balance de los cuatro días de Benedicto XVI en el Reino Unido, no hay chiste mejor para dar una medida, aunque inmediata, de cuál ha sido la dimensión del éxito pastoral, eclesial, espiritual y humano de la visita del Papa.
¿Por qué? Las razones son muchas, pero la primera es una sola: los británicos han visto “las cosas como son”, la verdad, y ya no lo que cierto periodismo muy elegante, culto y de firma ha visto durante algunos meses; a veces contra toda evidencia y no siempre respetando la verdad.
Han "visto" al Papa (centenares de miles de cerca, y unos cuantos millones a través de la televisión). Han “escuchado hablar” al Papa, en diversas circunstancias, y sobre muchos temas que son importantes para las personas sencillas que tienen sed de pensamiento y de seriedad. Después, hay otra razón que no debe minusvalorarse: la sociedad británica, como todas las demás sociedades europeas, atraviesa un periodo, ya muy largo y devastador, de superficialidad existencial, y siente profundamente, con dolor y aflicción, la falta de un proyecto, de futuro, de utopía, en una palabra: de humanidad (y de humanismo), dentro de la que cada uno es persona y no sólo ciudadano, elector, usuario o consumidor.
Benedicto XVI no ha ido a conquistar votos; a vender perfumes o coches de gran cilindrada; a promover un improbable formato televisivo o a decir lo contrario de lo que piensa.
En fin, como dijo su portavoz, padre Federico Lombardi, fue a proponer “el mensaje de la fe como algo positivo", a proponer reflexiones para poder discernir, para poder comprender la situación en la que nos encontramos hoy históricamente como sociedad, como mundo, ante los grandes desafíos de hoy y del futuro, a qué valores podemos orientarnos, a los riesgos también de perder la orientación a los valores esenciales".
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20.9.10
Musica auribus nostris
17.9.10
"Foram detido cinco homens"
Former Hitler Youth Targeted?
Five working class men from third world countries have been dragged off the streets of England which they'd been hired to clean and thrown into holding cells on suspicion of allegedly plotting to harm a former member of the infamous Hitler Youth organization. Pope Benedict XVI, a former Hitler Youth, is the leader of an organization which is one of the only ones that legally continue to harshly discriminate against women. Benedict, who is not expected to draw very large crowds, may allegedly have been the target of these five men of unknown background or religious affiliation. Pope Benedict, who mysteriously changed his name sometime in the last decade from Josef Ratzinger, has angered many groups with his pronouncements against the peaceful religion of Islam as well as his inflammatory statements against women. Pope Benedict XVI (aka Ratzinger) is most well known for his leadership of a group formerly known as "The Inquisition" which is believed to be responsible for the deaths of thousands if not millions of Europeans some years ago. Benedict is also regarded suspiciously for his infamous coverup of the Roman Catholic Church's sex abuse scandal which had many in Europe including such luminaries as Christopher Hitchens pleading for his arrest before more children could be hurt. Thousands of protests were expected to shout down the Pontiff on his visit to Britain but reportedly less than a hundred protestors showed up causing some to believe that the protestors feared retaliation from those who support the Pope or perhaps even Benedict himself,a former Hitler Youth. The five working class immigrants arrested earlier today may be victims of anti-immigrant fervor in England. In fact, anti-immigrant fervor escalated to such a fever pitch that youths were forced to protest in the streets of France recently. Coverage will continue. Note: In case you think this satire is over the top just know that there have been 117 references to Hitler Youth in news stories about the Pope recently. There have been only 43 references to "Muslim terrorist" in stories referring to Pope Benedict.
16.9.10
Papa Bento XVI: Eusébio, Bispo de Cesareia
PAPA BENTO XVI AUDIÊNCIA GERAL Quarta-feira, 13 de Junho de 2007
Eusébio, Bispo de Cesareia
Queridos irmãos e irmãs!
Na história do cristianismo antigo é fundamental a distinção entre os primeiros três séculos e os sucessivos ao Concílio de Niceia de 325, o primeiro ecuménico. Quase como "ponto de união" entre os dois períodos encontram-se a "mudança constantinopolitana" e a paz da Igreja, assim como a figura de Eusébio, Bispo de Cesareia na Palestina. Ele foi o representante mais qualificado da cultura cristã do seu tempo em contextos muito variados, da teologia à exegese, da história à erudição. Eusébio é conhecido sobretudo como o primeiro historiador do cristianismo, mas foi também o maior filólogo da Igreja antiga.
Em Cesareia, onde provavelmente se deve situar por volta de 260 o nascimento de Eusébio, Orígenes tinha-se refugiado provindo de Alexandria, e ali fundara uma escola e uma grandiosa biblioteca. Precisamente nestes livros se formara, alguns decénios mais tarde, o jovem Eusébio. Em 325, como Bispo de Cesareia, participou com um papel de protagonista no Concílio de Niceia.
Subscreveu o Credo e a afirmação da plena divindade do Filho de Deus, por isso definido "da mesma substância" do Pai (ὁμοούσιος τῷ Πατρί - homooúsios tõ Patrí). É praticamente o mesmo Credo que nós recitamos todos os domingos na Santa Liturgia. Sincero admirador de Constantino, que tinha dado a paz à Igreja, Eusébio por sua vez o estimou e considerou. Celebrou o imperador, não só nas suas obras, mas também com discursos oficiais, pronunciados no vigésimo e trigésimo aniversário da sua ascensão ao trono, e depois da morte, que se verificou em 337. Dois ou três anos mais tarde faleceu também Eusébio.
Estudioso incansável, nos seus numerosos escritos Eusébio propõe-se reflectir e analisar três séculos de cristianismo, três séculos vividos sob a perseguição, haurindo amplamente das fontes cristãs e pagãs conservadas sobretudo na grande biblioteca de Cesareia. Assim, não obstante a importância objectiva das suas obras apologéticas, exegéticas e doutrinais, a fama imperecível de Eusébio permanece ligada em primeiro lugar aos dez livros da sua História Eclesiástica [versão grega, duas inglesas]. Foi o primeiro que escreveu uma história da Igreja, que permanece fundamental graças às fontes colocadas por Eusébio à nossa disposição para sempre. Com esta História ele conseguiu salvar de esquecimento certo numerosos acontecimentos, personagens e obras literárias da Igreja antiga. Portanto, trata-se de uma fonte primária para o conhecimento dos primeiros séculos do cristianismo.
"Creio para poder compreender"
Deborah Gyapong: (...) Sou jornalista, não teóloga, e não posso dizer que compreendo todo o alcance do que aparece no Catecismo da Igreja Católica. Mas pude ver que não posso continuar sendo um pequeno papa na minha própria mente, optando e dizendo por mim mesma as doutrinas nas quais acredito e as que descartei. Boa parte da minha formação foi evangélica protestante e, pouco a pouco, pude ver que, antes de compreender aquilo em que deveria crer, é melhor seguir o conselho de Santo Anselmo da Cantuária e dizer: "Creio para poder compreender". Dessa forma, decidi abraçar a autoridade do Magistério da Igreja Católica, no qual acredito. Uma fé apostólica é crucial para encontrar nossa liberdade em Cristo e a liberdade para viver como se deve. Não sou teóloga e não posso explicar o mistério da Eucaristia, mas eu acredito que Jesus está totalmente presente, em seu corpo, mente, alma e divindade no Santíssimo Sacramento; que nos alimenta, nos limpa e nos envia unidos a Ele para ser suas mãos, seus pés, sua voz para proclamar seu amor e a Boa Nova da salvação a um mundo fragmentado. (...)
Bento XVI no Reino Unido
11.9.10
Papa Bento XVI: Orígenes: a vida e a obra (1)
PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Quarta-feira, 25 de Abril 2007
Orígenes: a vida e a obra (1)Queridos irmãos e irmãs!Nas nossas meditações sobre as grandes personalidades da Igreja antiga, hoje conhecemos uma das mais relevantes. Orígenes de Alexandria é realmente uma das personalidades determinantes para todo o desenvolvimento do pensamento cristão. Ele recebe a herança de Clemente de Alexandria, sobre o qual meditámos na passada quarta-feira, e impele para o futuro de modo totalmente inovativo, imprimindo uma mudança irreversível ao desenvolvimento do pensamento cristão. Foi um "mestre" verdadeiro, e assim o recordavam com saudades e emoção os seus alunos: não só um brilhante teólogo, mas uma testemunha exemplar da doutrina que transmitia. "Ele ensinou", escreve [Sancto] Eusébio de Cesareia, seu biógrafo entusiasta, "que o comportamento deve corresponder exactamente às palavras e foi sobretudo por isso que, ajudado pela graça de Deus, induziu muitos a imitá-lo" (Hist. Eccl. 6, 3, 7).Toda a sua vida foi percorrida por um profundo anseio pelo martírio. Tinha dezassete anos quando, no décimo ano do imperador Setímio Severo, se desencadeou em Alexandria a perseguição contra os cristãos. Clemente, seu mestre, abandonou a cidade, e o pai de Orígenes, Leónidas, foi encarcerado. O seu filho bramava ardentemente pelo martírio, mas não pôde realizar este desejo.Então escreveu ao pai, exortando-o a não desistir do testemunho supremo da fé. E quando Leónidas foi decapitado, o pequeno Orígenes sentiu que devia acolher o exemplo da sua vida. Quarenta anos mais tarde, quando pregava em Cesareia, fez esta confissão: "Não me é útil ter tido um pai mártir, se não tenho um bom comportamento e não honro a nobreza da minha estirpe, isto é, o martírio de meu pai e o testemunho que o tornou ilustre em Cristo" (Hom. Ex. 4, 8). Numa homilia sucessiva quando, graças à extrema tolerância do imperador Filipe o Árabe, já parecia não haver a eventualidade de um testemunho cruento Orígenes exclama: "Se Deus me concedesse ser lavado no meu sangue, de modo a receber o segundo baptismo tendo aceite a morte por Cristo, afastar-me-ia deste mundo seguro... Mas são bem aventurados os que merecem estas coisas" (Hom. Iud. 7, 12). Estas expressões revelam toda a nostalgia de Orígenes pelo baptismo de sangue. E finalmente este anseio irresistível foi, pelo menos em parte, satisfeito. Em 250, durante a perseguição de Décio, Orígenes foi preso e torturado cruelmente. Debilitado pelos sofrimentos suportados, faleceu alguns anos mais tarde. Ainda não tinha setenta anos.
8.9.10
Papa Bento XVI: São Justino, filósofo e mártir
Talvez este venha a ser o primeiro de uma série de entradas com as catequeses do Papa Bento XVI sobre os Padres da Igreja.
PAPA BENTO XVI AUDIÊNCIA GERAL Quarta-feira, 21 de Março 2007
São Justino, filósofo e mártir
Amados irmãos e irmãs!
Estamos a reflectir, nestas catequeses, sobre as grandes figuras da Igreja nascente. Hoje falamos de São Justino, filósofo e mártir, o mais importante dos Padres apologistas do segundo século. A palavra "apologistas" designa aqueles escritores cristãos antigos que se propunham defender a nova religião das pesadas acusações dos pagãos e dos judeus, e difundir a doutrina cristã em termos adequados à cultura do próprio tempo. Assim nos apologistas está presente uma dupla solicitude: a mais propriamente apologética, de defender o cristianismo nascente (apologhía em grego significa precisamente "defesa") e a "missionária", que expõe os conteúdos da fé numa linguagem e com categorias de pensamento compreensíveis aos contemporâneos.
Justino nasceu por volta do ano 100 na antiga Siquém, em Samaria, na Terra Santa; ele procurou por muito tempo a verdade, peregrinando nas várias escolas da tradição filosófica grega. Finalmente como ele mesmo narra nos primeiros capítulos do seu Diálogo com Trifão uma personagem misteriosa, um idoso encontrado à beira-mar, inicialmente pô-lo em dificuldade, demonstrando-lhe a incapacidade do homem de satisfazer unicamente com as suas forças a aspiração pelo divino. Depois indicou-lhe nos antigos profetas as pessoas às quais se dirigir para encontrar o caminho de Deus e a "verdadeira filosofia". Ao despedir-se dele, o idoso exortou-o à oração, para que lhe fossem abertas as portas da luz. A narração vela o episódio crucial da vida de Justino: no final de um longo itinerário filosófico de busca da verdade, ele alcançou a fé cristã.
Fundou uma escola em Roma, onde gratuitamente iniciava os alunos na nova religião, considerada como a verdadeira filosofia. De facto, nela tinha encontrado a verdade e portanto a arte de viver de modo recto. Por este motivo foi denunciado e foi decapitado por volta do ano de 165, sob o reinado de Marco Aurélio, o imperador filósofo ao qual o próprio Justino tinha dirigido a sua Apologia.
7.9.10
"Porque me atacam" - as respostas de Bento XVI
"Porque me atacam". Autobiografia de um pontificado Desde que foi elevado ao papado, Joseph Ratzinger é alvo de agressões in crescendo, no interior da Igreja e fora dela. Há alguma "mão invisível" que as ordena? Aqui indicamos o juízo e a explicação do Papa por Sandro MagisterROMA, 3 de Setembro de 2010 – Neste verão foram editados, nos Estados Unidos e em Itália, dois livros que reconstroem e analisam os ataques que, de muitos lados, se lançaram contra Bento XVI desde o começo do pontificado, com um crescendo que atingiu o cume neste ano. O livro de Gregory Erlandson e Matthew Bunson, editores de jornais católicos de grande difusão nos Estados Unidos, concentram-se no escândalo dos abusos sexuais do clero. Já o livro dos vaticanistas italianos Paolo Rodari e Andrea Tornielli estende a análise aos ataques contra outros actos e discursos de Bento XVI: da conferência de Regensburg á liberalização da Missa no rito antigo, da revogação da excomunhão aos bispos lefebvrianos à condenação do preservativo anti-SIDA, da recepção dos anglicanos na Igreja Católica ao escândalo da pedofilia. De cada uma destas situações, Rodari e Tornielli dão uma reconstrução muito cuidada, com enredo inédito. A conclusão que os autores tiram é a de que estão em curso três ataques diferentes contra Bento XVI, por mão de três inimigos diferentes. O primeiro e principal é o inimigo externo. São as correntes de opinião e os centros de poder hostis à Igreja e a este Papa. O segundo inimigo são os católicos – entre os quais há não poucos padres e bispos – que vêem Bento XVI como um obstáculo ao projecto de reforma "modernista" da Igreja que esses católicos têm. Por último, o terceiro inimigo são os funcionários da cúria vaticana que em vez de ajudar o Papa o embaraçam, por incapacidade, ignorância, ou também por oposição. Estas três fontes não estão necessariamente submetidas a uma direcção única. Porém, isso não impede de investigar se há nas três uma razão unificadora que explique ataques tão ásperos e contínuos, todos concentrados sobre o Papa actual. É o que fazem Rodari e Tornielli no último capítulo do livro, recolhendo a opinião de vários analistas e comentadores. Mas não menos importante é saber como é que o próprio Bento XVI interpreta os ataques lançados contra ele.
