20.1.09

Liberdade religiosa

Uma das liberdades que não é contestada na nossa sociedade é a liberdade religiosa. No ocidente qualquer pessoa pode praticar a sua fé, dentro do respeito pelas leis civis, e pode falar livremente dela a quem o quiser ouvir. Para além de usufruírem de plena liberdade de culto e de ensino e de acção prosélita, algumas religiões parecem gozar de um privilégio especial de reserva a respeito de alguns pontos sensíveis das suas respectivas crenças, que levam jornalistas, académicos e, inclusive, artistas a tomar atitudes de notável contenção em ordem a não ofender determinadas sensibilidades. Ora, se procurarmos nos países onde o Islão é maioritário e dita a lei o que se entende por "liberdade religiosa", encontraremos um conceito bem diferente:
«(...) when a Muslim speaks of religious freedom, what he means is the right of a Christian woman to marry a Muslim man and to remain a Christian thereafter.»
E já que este assunto se cruza com uma matéria muito discutida (e distorcida) por cá, nos últimos tempos, podemos também destacar da mesma entrevista ao Bispo da Arábia, Paul Hinder, originalmente publicada na revista suiça Die Weltwoche, da qual o Pajamas Media publica uma tradução para inglês, cuja leitura integral se recomenda:
«(...)we also have to ask how matters stand as regards a Christian man who marries a Muslim woman. He also automatically becomes a Muslim. He is not even asked if this is what he wants.»
Esta plasticidade no sentido atribuído à expressão "liberdade religiosa", ora para uso islâmico no Ocidente, ora para uso sobre outras religiões no Islão, recorda-me uma outra noção muito cultivada nos dias de hoje, a tolerância, definida peculiarmente por Marcuse considerando quem tolera e o que se tolera, nos seguintes termos:
« Liberating tolerance, then, would mean intolerance against movements from the Right and toleration of movements from the Left.»
Não surpreende que uns e outros, islamitas e marxistas, se entendam tão bem.

A religião da pás II

É importante conhecer o inimigo; ou um exemplo de justiça poética; ou de como se pretende atacar deliberadamente alvos civis; ou como afinal sempre havia armas de destruição massiva, mas não no local e no momento que se pensava. Via Hot Air.

16.1.09

Anti-sionismo ou anti-semitismo?

São frequentes as tomadas públicas de posição de alguma intelectualidade progressista contra o estado de Israel, posições auto-designadas como "anti-sionistas", fazendo uma distinção entre o projecto político - imperialista, dizem - subjacente à fundação do estado de Israel e o direito dos judeus a viver pacificamente, que não discutem (pelo menos abertamente). O que se tem visto, porém, pela Europa fora e pelos EUA em manifestações alegadamente contra as operações militares israelitas, mas que acabam invariavelmente em manifestações de ódio assumido pelos judeus, não merece outro nome que não anti-semitismo, do qual são exemplos acabados os ataques a estabelecimentos comerciais multinacionais dirigidos por judeus não israelitas em Inglaterra. Addendum: a propósito deste tema e também sobre a disposição por parte dos europeus de sacrificar Israel para aplacar a fúria islâmica, ler este texto.

«Não haverá progresso algum dos conhecimentos religiosos na Igreja de Cristo?»

«Há, sem dúvida, e muito grande. Com efeito, quem será tão malévolo para com a humanidade e tão inimigo de Deus que pretenda impedir este progresso?» S. Vicente de Lérins (séc. V) Via Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura

Reconhecer um milagre

Há, pelo menos, dois tipos de milagre: os que, de tão extraordinários, nos espantam - aos quais só não reconhecemos a natureza miraculosa por incredulidade; e os que, de tão frequentes, deixam de nos maravilhar, capazes que somos de a tudo nos habituarmos. O extraordinário acontecimento de ontem - a amaragem de emergência de um avião comercial com cerca de 150 pessoas a bordo no rio Hudson, sem vítimas mortais - não pode deixar de maravilhar um cristão e de suscitar nele a forte impressão de que se tratou de um milagre. Reconhecer um milagre não retira, nem um pouco, o mérito humano, heróico, ao piloto, nem deprecia as condições que favoreceram o resgate dos sobreviventes, concretamente o elevado número de embarcações que à hora do acidente navegavam no Hudson e que rapidamente acorreram ao local do acidente em socorro dos passageiros. Deus opera os milagres e chama os homens a cooperar com Ele. Nas Bodas de Caná, são os servos do noivo quem enche as talhas com água, seguindo, apesar da sua incredulidade, as instruções de Jesus. Nas multiplicações dos pães, são os discípulos que, instados pelo Mestre e mau grado o seu natural cepticismo, recolhem uma mão cheia de côdeas. Ao homem cabe cumprir o seu dever, fazer o que está certo; Deus faz o resto. O último, e talvez o mais importante, dos deveres do homem é ser capaz de reconhecer o milagre.

4.1.09

Proporcionalidade

A propósito de "proporcionalidade", ler este texto, cujo sumário colo: «Israeli population centers in southern Israel have been the target of over 4,000 rockets, as well as thousands of mortar shells, fired by Hamas and other organizations since 2001. Rocket attacks increased by 500 percent after Israel withdrew completely from the Gaza Strip in August 2005. During an informal six-month lull, some 215 rockets were launched at Israel. The charge that Israel uses disproportionate force keeps resurfacing whenever it has to defend its citizens from non-state terrorist organizations and the rocket attacks they perpetrate. From a purely legal perspective, Israel's current military actions in Gaza are on solid ground. According to international law, Israel is not required to calibrate its use of force precisely according to the size and range of the weaponry used against it. Ibrahim Barzak and Amy Teibel wrote for the Associated Press on December 28 that most of the 230 Palestinians who were reportedly killed were "security forces," and Palestinian officials said "at least 15 civilians were among the dead." The numbers reported indicate that there was no clear intent to inflict disproportionate collateral civilian casualties. What is critical from the standpoint of international law is that if the attempt has been made "to minimize civilian damage, then even a strike that causes large amounts of damage - but is directed at a target with very large military value - would be lawful." Luis Moreno-Ocampo, the Chief Prosecutor of the International Criminal Court, explained that international humanitarian law and the Rome Statute of the International Criminal Court "permit belligerents to carry out proportionate attacks against military objectives, even when it is known that some civilian deaths or injuries will occur." The attack becomes a war crime when it is directed against civilians (which is precisely what Hamas does). After 9/11, when the Western alliance united to collectively topple the Taliban regime in Afghanistan, no one compared Afghan casualties in 2001 to the actual numbers that died from al-Qaeda's attack. There clearly is no international expectation that military losses in war should be on a one-to-one basis. To expect Israel to hold back in its use of decisive force against legitimate military targets in Gaza is to condemn it to a long war of attrition with Hamas.» Via Melanie Phillips.

2.1.09

Manifestações em defesa de quem?

Nos próximos dias, terão lugar em Lisboa algumas iniciativas de demonstração de oposição à investida militar israelita. É evidente que a guerra, qualquer guerra é um acontecimento deplorável em si mesmo e pelos danos causados a inocentes. Infelizmente, é, por vezes, um último recurso inevitável. Acontece que esta investida militar tem alvos bem definidos, pelo que talvez não fosse má ideia perceber quem são esses alvos - e haverá melhor maneira de o fazer que a leitura do seu documento fundador, a Carta do Hamas? (Uma tradução para português encontra-se neste livro). O documento é extenso, e há coisas melhores para fazer, por isso, colo uma parte, para aguçar o apetite para a leitura de todo o documento, e para recordar da próxima vez que alguém falar em negociações de paz (destaques meus): «Article Thirteen: Peaceful Solutions, [Peace] Initiatives and International Conferences [Peace] initiatives, the so-called peaceful solutions, and the international conferences to resolve the Palestinian problem, are all contrary to the beliefs of the Islamic Resistance Movement. For renouncing any part of Palestine means renouncing part of the religion; the nationalism of the Islamic Resistance Movement is part of its faith, the movement educates its members to adhere to its principles and to raise the banner of Allah over their homeland as they fight their Jihad: "Allah is the all-powerful, but most people are not aware." From time to time a clamoring is voiced, to hold an International Conference in search for a solution to the problem. Some accept the idea, others reject it, for one reason or another, demanding the implementation of this or that condition, as a prerequisite for agreeing to convene the Conference or for participating in it. But the Islamic Resistance Movement, which is aware of the [prospective] parties to this conference, and of their past and present positions towards the problems of the Muslims, does not believe that those conferences are capable of responding to demands, or of restoring rights or doing justice to the oppressed. Those conferences are no more than a means to appoint the nonbelievers as arbitrators in the lands of Islam. Since when did the Unbelievers do justice to the Believers? "And the Jews will not be pleased with thee, nor will the Christians, till thou follow their creed. Say: Lo! the guidance of Allah [himself] is the Guidance. And if you should follow their desires after the knowledge which has come unto thee, then you would have from Allah no protecting friend nor helper." Sura 2 (the Cow), verse 120. There is no solution to the Palestinian problem except by Jihad. The initiatives, proposals and International Conferences are but a waste of time, an exercise in futility. The Palestinian people are too noble to have their future, their right and their destiny submitted to a vain game.(...)» Ninguém organiza contramanifestações?

26.12.08

Para seguir com atenção

Dei-me conta de que ainda não tinha aqui feito referência a um site através do qual tenho seguido a guerra tépida entre o Islão e o Ocidente. Trata-se do Jihad Watch, que se apresenta a si prórpio do seguinte modo: «Jihad Watch is dedicated to bringing public attention to the role that jihad theology and ideology plays in the modern world, and to correcting popular misconceptions about the role of jihad and religion in modern-day conflicts. We hope to alert people of good will to the true nature of the present global conflict.» O site gémeo, Dhimmi Watch, acompanha o avanço mais ou menos pacífico do Islão no Ocidente, através da conquista de posições culturais e da capitulação da cultura ocidental. Os autores são profundos conhecedores da cultura árabe, do Islão e do Corão, ao qual dedicam um separador.

16.12.08

"The Soviet Story"

Via Olavo de Carvalho, tomei conhecimento da existência de um filme que, pouco surpreendentemente, não passou no último DocLisboa, este ano tão político. Enquanto o cd não está à venda, pode ser visto no YouTube. Addendum: "The Soviet Story" agora também disponível no Google Video, em apenas um ficheiro e legendado em português do Brasil.

2.12.08

Dias difíceis para a democracia

Fazendo uso de terminologia eufemística para designar estratégias persecutórias e intimidatórias, a esquerda moderna, progessista e reformista vai-se aproximando cada vez mais da clássica, totalitária e revolucionária.

11.11.08

A face oculta

Os EUA elegeram um novo presidente. O mundo livre terá, a partir do dia 20 de Janeiro de 2009, um novo líder. Acompanhei a campanha sobretudo através de alguns sites e blogues conservadores americanos e desejei uma vitória republicana. Admirei a grandeza de McCain - o discurso de aceitação da derrota é de uma tremenda elevação democrática. Aliás, a forma como os conservadores reagiram à derrota, aceitando o resultado e desejando felicidades ao presidente eleito, prometendo-lhe uma oposição firme mas leal, é uma lição de democracia para todos os que nunca foram capazes de aceitar democraticamente as vitórias eleitorais de Bush, para os que nunca o trataram com o respeito mínimo devido ao presidente democraticamente eleito dos EUA. Deposito esperanças na Palin: pode vir a liderar a renovação do movimento conservador americano - isto se conseguir resistir à impiedosa campanha de assassinato de carácter de que foi e continua a ser alvo. Por cá, poucos se atrevem a defendê-la e não há iluminado que dela não troce. Dito isto, dou início a uma série de postais sobre a face oculta de Barack Obama, escrutinando aspectos da carreira política do futuro presidente que ficaram por analisar em Portugal e que mereceram pouca atenção mediática no EUA. O primeiro é sobre um tema central da civilização ocidental: o respeito pelos direitos da pessoa, nomeadamente pelo mais elementar deles, o direito à vida: Obama's Abortion Extremism.

Dias difíceis

Dias difíceis para os cristãos, não apenas nos países muçulmanos nem na Índia. E a tendência é para piorar. Da hostilidade jocosa, aviltante para a a agressão planeada não vai uma grande diferença. Dias difíceis para a direita, para os conservadores se avizinham. (via American Thinker)