4.5.10

Livro de Ratzinger/Bento XVI sobre música

Será lançado em meados deste mês um livro que recolhe todos os textos e discursos do cardeal Ratzinger/Bento XVI sobre música. Dois excertos:
«Se la Chiesa deve trasformare, migliorare, “umanizzare” il mondo, come può far ciò e rinunciare nel contempo alla bellezza, che è tutt’uno con l’amore ed è con esso la vera consolazione, il massimo accostamento possibile al mondo della resurrezione? La Chiesa dev’essere ambiziosa; dev’essere una casa del bello, deve guidare la lotta per la “spiritualizzazione”, senza la quale il mondo diventa il “primo girone dell’inferno”. Si cerchi pure ciò che è adatto alla liturgia e alla partecipazione dei fedeli, ma si faccia di tutto perché ciò che è adatto sia anche bello e degno della più importante azione ecclesiale in cui viene usato.»
«Giustamente una Chiesa che faccia soltanto “musica d’uso” cade nell’inutile e diviene essa stessa inutile», afferma ancora il Papa. La Chiesa «dev’essere luogo della “gloria” e così anche luogo in cui i lamenti dell’umanità sono portati all’orecchio di Dio (…) deve destare la voce del cosmo glorificando il Creatore e rendere il cosmo stesso glorioso, e quindi bello, abitabile, amabile.»
Como comenta o autor da notícia, «quase um condensado da abordagem do Papa à música e à liturgia». In Rinascimento Sacro, via New Liturgical Movement.

3.5.10

Amata veritas, amandus Deus

Sobresto de caluniar o Papa e difamar a Egreja, um scripto que não nos acrescenta ao já aqui partilhado, mas louvável pela honestidade intelectual. Veja este toda a Verdade, dom d'Ela, e não só parte.
Não sou crente. Educado na fé católica, passei pelo ateísmo militante e hoje defino-me como agnóstico. (...) Por isso eu, que nem sou crente, fui informar-me sobre os casos e sobre a doutrina e escrevi este texto que, nos dias inflamados que correm, se arrisca a atrair muita pedrada. Ela que venha.
Mãe do Céu, rogai por nós.

29.4.10

Weigel responde a Küng e aguarda réplica

Já aqui aludimos a uma carta do teólogo alemão Hans Küng, a propósito da reacção que suscitou a Massimo Introvigne. Depois disso, o Público publicou-a, contribuindo para espalhar o veneno pelo mundo lusófono. Impõe-se, por isso, a publicação de uma resposta da autoria de George Weigel, na tradução portuguesa publicada no blogue Erguei-Vos, Senhor, da autoria do leitor Fabiano Rollim, aos quais dirijo os meus cumprimentos e agradecimentos:

Uma Carta Aberta a Hans Küng

21 de abril de 2010

Por George Weigel

Dr. Küng,

Há uma década e meia atrás, um ex-colega seu, um dos mais jovens teólogos progressistas no Vaticano II, contou-me sobre uma advertência amigável que lhe teria feito no começo da segunda sessão do Concílio. Essa pessoa, hoje um eminente catedrático em Sagradas Escrituras e defensor da reconciliação judaico-cristã, lembrava como, naqueles dias conturbados, você o levou para dar uma volta por Roma em um Mercedes vermelho conversível, o qual seu amigo presumiu ter sido um dos frutos do sucesso comercial de seu livro, The Council: Reform and Reunion[1].

Seu colega considerou aquela exibição automotiva um chamariz de atenção imprudente e desnecessário, dado que algumas de suas opiniões mais aventureiras, e seu talento para o que mais tarde seria conhecido como “frases de efeito”, já estavam levantando sobrancelhas e causando frio em espinhas na Cúria Romana. Então, conforme me foi contado, seu amigo o chamou à parte um dia e disse, usando um termo francês que vocês dois entendiam, “Hans, você está ficando muito évident[2].”

Como alguém que, sozinho, inventou um novo tipo de personalidade global – o teólogo dissidente que se transforma em estrela da mídia internacional – acredito que você não tenha ficado muito incomodado com a advertência de seu amigo. Em 1963, você já estava determinado a traçar um caminho singular para si, e conhecia a mídia suficientemente bem para saber que uma imprensa mundial obcecada com a história peculiar de um teólogo sacerdote dissidente daria a você um megafone para seus pontos de vista. Você deve ter ficado triste com o saudoso João Paulo II por ter tentado desmantelar aquele enredo ao retirar seu mandato eclesiástico para ensinar como professor de teologia católica; sua subsequente acusação rancorosa de uma suposta inferioridade intelectual de Karol Wojtyla, em um volume de suas memórias, tornou-se, até recentemente, o ponto mais baixo de uma carreira polêmica na qual se tornou évident que você é um homem pouco capaz de reconhecer inteligência, decência ou boa vontade em seus oponentes.

Eu digo “até recentemente”, entretanto, porque sua carta aberta aos bispos do mundo, de 16 de abril, que li primeiramente no Irish Times, estabeleceu novos padrões para aquela forma distintiva de ódio conhecida como odium theologicum e para a condenação maldosa de um velho amigo que, ao ser elevado ao papado, foi generoso com você ao encorajar aspectos de seu trabalho atual.

Antes de chegarmos ao assalto à integridade do Papa Bento XVI, entretanto, permita-me observar que seu artigo deixa terrivelmente claro que você não tem prestado muita atenção às questões sobre as quais se pronuncia com um ar de infalibilidade que faria corar as bochechas de Pio IX.

Você parece displicentemente indiferente ao caos doutrinal que cerca a maioria do protestantismo europeu e norte-americano, o qual criou circunstâncias nas quais um diálogo ecumênico teologicamente sério ficou gravemente ameaçado.

Você considera como verdadeiras as acusações mais irracionais feitas a Pio XII, evidentemente sem levar em conta que o recente debate entre os estudiosos está fazendo a balança pender a favor da coragem daquele Papa na defesa dos judeus europeus (independentemente do que se queira pensar a respeito de sua prudência).

Você erra ao representar os efeitos do discurso de Bento XVI em Regensburg, em 2006, rejeitando-o como tendo “caricaturado” o Islã. Na verdade, o discurso em Regensburg focou novamente o diálogo católico-islâmico nas duas questões que precisam ser urgentemente abordadas – a liberdade religiosa como um direito humano fundamental que pode ser conhecido pela razão, e a separação da autoridade religiosa e política no estado do século vinte e um.

Você não mostra qualquer compreensão a respeito do que realmente previne a AIDS na África, e se agarra ao desgastado mito da “superpopulação” em um momento onde as taxas de natalidade estão caindo ao redor do globo e a Europa está entrando em um inverno demográfico criado conscientemente por ela mesma.

Você parece alheio à evidência científica que subscreve a defesa que a Igreja faz do status moral do embrião humano, ao mesmo tempo em que acusa falsamente a Igreja Católica de se opor à pesquisa com células-tronco.

Por que você desconhece essas coisas? Obviamente você é um homem inteligente; você chegou a fazer um trabalho pioneiro em teologia ecumênica. O que aconteceu com você?

O que aconteceu, creio eu, é que você perdeu seus argumentos a respeito do significado e da hermenêutica correta do Vaticano II. Isso explica porque você insiste incansavelmente em sua busca cinquentenária por um catolicismo protestante, precisamente no momento em que o projeto liberal protestante está desmoronando de sua inerente incoerência teológica. E é por isso que agora você se envolveu em uma torpe difamação de outro ex-colega do Vaticano II, Joseph Ratzinger. Antes, porém, de abordar essa difamação, permita-me comentar brevemente sobre a hermenêutica do Concílio.

Ainda que você não seja o expoente mais completo, teologicamente falando, daquilo que Bento XVI chamou de “hermenêutica da ruptura” no discurso à Cúria Romana no Natal de 2005, você é, sem dúvida, o representante de maior visibilidade internacional daquele grupo idoso que continua a insistir em que o período de 1962 a 1965 marcou um caminho sem volta decisivo na história da Igreja Católica: o momento de um novo começo, no qual a Tradição seria destronada de seu lugar de costume como fonte primária de reflexão teológica, sendo substituída por um cristianismo que paulatinamente deixaria “o mundo” estabelecer a agenda da Igreja (como num mote que o Conselho Mundial de Igrejas utilizava na época).

A luta entre essa interpretação do Concílio e aquela defendida por padres conciliares como Ratzinger e Henri de Lubac dividiu o mundo teológico católico pós-conciliar em grupos contendedores representados por duas revistas: a Concilium para você e seus colegas progressistas, e a Communio para aqueles que vocês continuam a chamar de “reacionários”. O fato de que o projeto Concilium se tornou cada vez mais inviável com o tempo – e que uma geração mais nova de teólogos, especialmente na América do Norte, passou a gravitar na órbita da Communio – não deve ter sido uma experiência feliz para você. E o fato de que o projeto Communio moldou decisivamente as deliberações do Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985, convocado por João Paulo II para celebrar os resultados alcançados pelo Vaticano II e avaliar sua plena implementação no vigésimo aniversário de seu encerramento, deve ter sido outro baque.

Ainda assim arrisco dizer que a espada entrou mesmo em sua alma quando, em 22 de dezembro de 2005, o recém-eleito Papa Bento XVI – o homem cuja indicação para a faculdade teológica de Tübingen você tinha ajudado a conseguir – dirigiu-se à Cúria Romana e sugeriu que a disputa tinha acabado: e que a “hermenêutica conciliar da reforma”, que presumia continuidade com a Grande Tradição da Igreja, tinha prevalecido sobre a “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”.

Talvez, enquanto você e Bento XVI bebiam cerveja em Castel Gandolfo no verão de 2005, você de alguma forma tenha imaginado que Ratzinger tinha mudado de idéia nessa questão central. Obviamente ele não tinha. Por que você chegou a imaginar que ele poderia aceitar sua visão sobre o que significaria uma “constante renovação da Igreja”, francamente, é um mistério. Também sua análise sobre a situação católica contemporânea não se tornou nem um pouco mais plausível quando se lê, mais adiante em seu recente artigo, que os papas recentes têm sido “autocratas” em relação aos bispos; de novo, é de se pensar se você tem prestado atenção suficientemente. Pois parece evidente e claro que Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI têm sido dolorosamente relutantes – alguns diriam, desafortunadamente relutantes – em disciplinar bispos que se mostram incompetentes ou com má conduta e que por isso perderam a capacidade de ensinar e de liderar: uma situação que muitos de nós esperam que mude, e mude logo, à luz das recentes controvérsias.

De certa forma, naturalmente, nenhuma de suas reclamações sobre a vida católica pós-conciliar é nova. Entretanto, parece mesmo muito contraditório, para alguém que realmente se importa com o futuro da Igreja Católica como uma testemunha da verdade de Deus para a salvação do mundo, insistir no ponto a que você persistentemente nos insta: que um catolicismo credível percorra o mesmo caminho traçado nas décadas recentes por várias comunidades protestantes que, conscientemente ou não, seguiram uma ou outra versão de seus conselhos para adotar uma hermenêutica de ruptura com a Grande Tradição Cristã. A propósito, essa é a singular posição que você ocupou desde que um de seus colegas se preocupou em você estar muito évident; e já que essa posição lhe manteve évident, pelo menos nas colunas de jornais que compartilham sua visão sobre a tradição católica, imagino ser demais esperar que você mude, ou mesmo aperfeiçoe, seus pontos de vista, mesmo se cada pedacinho de evidência empírica à disposição sugerir que o caminho que você propõe é o caminho da decadência para as igrejas.

O que pode ser esperado, em vez disso, é que você se comporte com um mínimo de integridade e decência nas controvérsias nas quais se envolve. Entendo o odium theologicum tão bem quanto qualquer um, mas tenho de, com toda a franqueza, dizer-lhe que em seu recente artigo você cruzou uma linha que não devia ser ultrapassada, quando escreveu:

“Não há como negar o fato de o sistema de ocultamento posto em prática em todo o mundo diante dos crimes sexuais dos clérigos ter sido engendrado pela Congregação para a Doutrina da Fé romana sob o cardeal Ratzinger (1981-2005)”.

Isso, senhor, não é verdade. Recuso-me a acreditar que você sabia que isso era falso e mesmo assim o tenha escrito, pois isso significaria que você conscientemente se condenou como um mentiroso. Mas assumindo que você não sabia que esta sentença era um punhado de mentiras, então você é tão notoriamente ignorante a respeito de como a competência por casos de abuso eram designadas na Cúria Romana antes de Ratzinger ter tomado o controle do processo e trazido o mesmo para competência da CDF em 2001, que perdeu toda a possibilidade de ser levado a sério a respeito deste ou de qualquer outro assunto que envolva a Cúria Romana e o governo central da Igreja Católica.

Como talvez você não saiba, tenho sido um crítico vigoroso e, assim espero, responsável a respeito de como casos de abuso foram (mal) conduzidos por bispos e autoridades na Cúria até o fim da década de 1990, quando o então Cardeal Ratzinger começou a lutar por uma mudança significativa no tratamento desses casos. (Se estiver interessado, consulte meu livro de 2002, The Courage To Be Catholic: Crisis, Reform, and the Future of the Church[3].)

Por isso, falo com algum conhecimento de causa quando digo que sua descrição a respeito do papel de Ratzinger, conforme citado acima, não é apenas burlesca para quem quer que esteja familiarizado com a história, mas contradita pela experiência de bispos americanos que sempre viram em Ratzinger alguém cuidadoso, disposto a ajudar e profundamente preocupado com a corrupção do sacerdócio por uma pequena minoria de abusadores, e ao mesmo tempo aflito com a incompetência e má conduta de bispos que levaram a sério, mais do que deviam, as promessas da psicoterapia ou que não tiveram a hombridade de confrontar o que tinha de ser confrontado.

Sei que não são os autores que redigem os subtítulos, algumas vezes horríveis, que são colocados em colunas de jornal. Apesar disso, você foi o autor de uma peça tão ácida – em si mesma completamente inapropriada para um sacerdote, um intelectual, ou um cavalheiro – que permitiu que os editores do Irish Times resumissem seu artigo da seguinte forma: “O Papa Bento piorou tudo o que já era errado na Igreja Católica e é diretamente responsável por engendrar o ocultamento global do estupro de crianças perpetrado por sacerdotes, de acordo com esta carta aberta a todos os bispos católicos.” Essa falsificação grotesca da verdade demonstra aonde o odium theologicum pode levar um homem. Mas de qualquer forma isso é vergonhoso.

Permita-me sugerir que você deve ao Papa Bento XVI um pedido público de perdão pelo que, objetivamente falando, é uma calúnia que, assim rezo, tenha sido formada em parte por ignorância (ainda que por ignorância culpável). Garanto-lhe que sou a favor de uma profunda reforma na Cúria Romana e no episcopado, projetos que descrevo até certo ponto no livro God´s Choice: Pope Benedict XVI and the Future of the Catholic Church[4], uma cópia do qual, em alemão, ficarei feliz em enviar-lhe. Mas não há caminho para a verdadeira reforma na Igreja que não passe pelo íngreme e estreito vale da verdade. A verdade foi trucidada em seu artigo no Irish Times. E isto significa que você atrapalhou a causa da reforma.

Com a garantia de minhas orações,

George Weigel

George Weigel é Membro Sênior do Centro de Ética e Política Pública de Washington, onde ocupa a cadeira William E. Simon em estudos católicos.

Artigo original em inglês disponível em: http://www.firstthings.com/onthesquare/2010/04/an-open-letter-to-hans-kung

Traduzido por Fabiano Rollim


[1] N. do T.:“ O Concílio: Reforma e Reunião” – livro não publicado no Brasil.

[2] N. do T.: Évident: aparente, evidente, notável.

[3] N. do T.: “A Coragem de Ser Católico: Crise, Reforma e o Futuro da Igreja” – livro não publicado no Brasil.

[4] N. do T.: “A Escolha de Deus: O Papa Bento XVI e o Futuro da Igreja Católica” – livro não publicado no Brasil.

23.4.10

Ser ou não ser católico

No The Catholic Thing leio um lúcido texto sobre a necessidade de fazer opções, nomeadamente a necessidade de optar entre levar a vida como nos apetece, como o Mundo a leva, ou como a Igreja ensina. Graham Greene, segundo o autor do dito artigo, sabia que não podia servir simultaneamente a dois senhores, ao Mundo e a Deus e que reclamar para si essa possibilidade corresponderia a assumir como sua a função de definir o que é a Fé. Quantos não o fazem hoje, entre nós?

«In the Garden of Gethsemane on the night prior to the Lord’s passion, Peter fell asleep. “The spirit is willing, but the flesh is weak”, was how Jesus memorably chose to describe the lapse. Even so, Peter’s very presence in the garden testifies to his great instinct towards faith – one that would falter and even stumble into outright betrayal, but would endure.

The nature of our faith as it interacts with our minds, spirit, and flesh is worth pondering. Jesus implies a distinction; failures of “the flesh” are not always entirely volitional in quite the same way as other kinds of deliberate actions, which require assent of the mind and spirit, though of course they can persist and devolve into willful rejection of truth. Excessive indulgence of the flesh accounts for a great deal of human suffering today, both personal and social. Nonetheless, there is also something about our universal physical human weakness that elicits a certain measure of sympathy. The fact is that we are weak and don’t always behave as we’d like to.

Graham Greene, the great twentieth-century novelist and convert to the Catholic faith, was intimately familiar with the powerful inclinations of the flesh. He led a deeply conflicted life replete with extramarital romantic liaisons. The soul in turmoil, at once given over to passion and afflicted with remorse, is the theme that dominates his greatest works.

Greene recognized that his persistent involvement in a series of affairs severed him from the Church. He knew he could not have it both ways; that would be to arrogate to himself the content of the faith handed down from the beginning.

In the end, he opted for the affairs. In a 1990 letter to Newsweek’s Kenneth Woodward, Greene tells of his experience travelling to Padre Pio’s village in Italy with girlfriend Catherine Walston. He was moved by the Mass they attended early one morning, but also reveals: “I was invited to go see him that night in the monastery, but I made excuses not to go as neither of us wanted our lives changed!”

In spite of his failings, he displayed a certain integrity by choosing not to present himself for Holy Communion – an issue of striking contemporary relevance. “I've broken the rules”, he writes. “They are rules I respect, so I haven't been to communion for nearly thirty years. . . .In my private life, my situation is not regular. If I went to communion, I would have to confess and make promises. I prefer to excommunicate myself." If this is not exactly an act of faith, but it is an acknowledgment of the Catholic faith’s coherence. (...)»

19.4.10

Pro fratribus nostris scribitote

Para: ambassade.portugal@menara.ma
Assunto: Liberdade religiosa em Marrocos Exmo. Sr. Embaixador de Portugal em Marrocos, Dr. João Rosa Lã, Na sequência das recentes expulsões de algumas dezenas de indivíduos cristãos acusados de tentar evangelizar muçulmanos em Marrocos (conforme pode ler em http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/8563111.stm), desejo relembrar a Vossa Excelência que as democracias ocidentais devem defender a universalidade dos direitos fundamentais do Homem, nomeadamente os direitos às liberdades de consciência e religiosa. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, os Acordos das Nações Unidas, bem como a Legislação Europeia, todos estabelecem estes direitos como invioláveis. Por estes motivos peço-lhe que se manifeste com firmeza diante do Governo Marroquino, para que este garanta aos portugueses, e também aos nacionais marroquinos, os seguintes direitos, os quais aliás o nosso país concede aos cidadãos de Marrocos:
- A liberdade para aderir ou não a uma determinada fé e à comunidade confessional correspondente, em liberdade de consciência. - a liberdade para publicitar e divulgar o ensino da sua religião, oralmente e por escrito, dentro e fora dos lugares de culto, e de dar a conhecer a doutrina moral daquela religião sobre as actividades humanas e a organização da sociedade; - a liberdade para receber e publicar livros sobre a fé e o culto próprio da sua própria religião, e de poder usá-los livremente; e
- o direito a regressar ao Reino de Marrocos no caso de ter sido expulso do país por motivos religiosos.
Confio na sua diligência e sensibilidade para com a justiça e a liberdade de expressão, tão caras a Portugal, para o melhor serviço dos interesses nacionais. Atentamente,
Sancta Mater ora pro nobis omnibus.

18.4.10

Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música - ilustração (4)

Ouça as primeiras palavras da cachopa: «No Irão é proibido a uma mulher cantar.»
Calculo que, à conta desta moça, já terá havido dezenas de sismos no Irão. Se quer perceber porquê e ver mais ilustrações deste fenómeno, leia as entradas da etiqueta Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música, a começar por esta: Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música. Via Bare Naked Islam.

Neurosis ducit concubinatores masculorum ad morbos venereos

No mês de Março passado, a autoridade para a saúde pública nos E.U.A., os Centers for Disease Control (CDC), publicou uma análise sobre a incidência de novos casos de infecção pelo VIH (o vírus da SIDA) e pelo Treponema pallidum (o bacterium causador da syphilis), comparando homossexuais e heterossexuais. Da nota de imprensa oficial, comentada e resumida pela narth, destaca-se, para escândalo dos revolucionários sexuais mais activistas:
The data, presented at CDC's 2010 National STD Prevention Conference, finds that the rate of new HIV diagnoses among men who have sex with men (MSM) is more than 44 times that of other men and more than 40 times that of women.
The range was 522-989 cases of new HIV diagnoses per 100,000 MSM vs. 12 per 100,000 other men and 13 per 100,000 women.
The rate of primary and secondary syphilis among MSM is more than 46 times that of other men and more than 71 times that of women, the analysis says. The range was 91-173 cases per 100,000 MSM vs. 2 per 100,000 other men and 1 per 100,000 women.
É isso mesmo, não se enganou: os homossexuais têm muito maior probabilidade de se infectarem do que os heterossexuais. A questão é relevante porque se tem adoptado a filosofia dos comportamentos de risco em detrimento dos grupos de risco na prevenção da disseminação das doenças sexualmente transmissíveis (dst). Isto é, na esfera da saúde pública, não se pensa tanto em combater as inclinações homossexuais (não se pensa mesmo nada...) quanto se pensa em difundir o látex ao kilo (os preservativos masculinos ou femininos, métodos contraceptivos que actuam por barreira phýsica). Embora strictu sensu seja verdade que qualquer pessoa (mesmo que heterossexual e saudável mentalmente) possa ter um comportamento de risco (relação sexual com um estranho, consumo de droga injectável com seringa já usada &c.), e portanto contrair DSTs, parece muito razoável crer que certos grupos estão mais inclinados a ter esses comportamentos de risco do que a população em geral e utilizar esse conhecimento na luta contra estas doenças por parte das autoridades e dos profissionais de saúde. Os responsáveis pelo estudo supra citado apontam algumas razões para a diferença abysmal entre a população em geral e os homens que têm relações sexuais com outros homens, a saber, o facto de o sexo anal ser muito mais traumático do que a relação heterossexual, daí ser mais provável a transmissão do VIH, o facto de haver desconhecimento quanto à transmissibilidade das doenças venéreas junto dos que sofrem tendências homossexuais e até a leviandade em relação aos riscos inerentes à sua práctica (en passant negue-se o mito de que o homossexual é uma pessoa mais evoluída e culta do que os restantes mortais; tal não passa de orgulho gay, sublimação de um complexo de inferioridade), a incapacidade em manter sempre a utilização dos métodos-barreira ao longo de toda uma vida (inexequibilidade), e até a homofobia e o stigma social são apontados como barreiras impedindo o acesso aos cuidados de saúde (treta). Mas nada disto é novo. Já aqui se deu a conhecer os trabalhos de Aardweg e de Rekers, os quais insistem que a população homossexual é mais doente que a restante, quer mental quer corporalmente, quer na psychê quer no soma. Podemos mesmo aproveitar o modelo proposto pelo holandês para explicar o facto: sabendo nós da personalidade neurótica do homossexual, não é difícil deduzir que há homossexuais que procuram inconscientemente situações de risco para delas colherem os ganhos secundários das doenças adquiridas: é o vitimismo compulsivo. O homossexual incorreria em relações "desprotegidas" (sem uso de preservativo) e de risco (com pessoas que ele sabe estarem infectados com o VIH), pela adrenalina do risco e pela comiseração própria ao saber-se infectado. Exemplo disto é existirem orgias de homossexuais seropositivos, nas quais participam voluntariamente homossexuais seronegativos, e que sem surpresa recebem a notícia da sua infecção tempos mais tarde. Como disse um: "Naqueles anos, eu sei o que fiz." Paradoxalmente, é frequente o homossexual mostrar-se demasiado preocupado com a sua saúde (não esquecer a hypochondríase enquanto neurose). Também importante para a anályse é saber que, das pessoas com tendências homossexuais que procuram ajuda para reorientarem a sua sexualidade, muitas o fazem com receio de contraírem doenças infecto-contagiosas. Uma última palavra para como se tem encarado a saúde reprodutiva, contracepção, e prevenção da transmissão de doenças venéreas. Já é tempo de acabar com a ideologia do sexo seguro, a ideia de que se te protegeres com um preserva podes andar na boa-vai-ela: isso não pega. E não pega por causa da complexidade da transmissão das doenças venéreas, do incentivo à promiscuidade, e da bizarria de comportamentos sexuais que por aí pululam. Ainda há dois dias se soube que a syphilis congénita nos E.U.A. aumentou 23% entre 2005 e 2008 (depois de anos a baixar), a par do aumento da doença na população feminina em idade fértil. Os CDC mostram-se muito preocupados com a saúde venérea nos homo(bi)ssexuais, mas querem abordar o problema com mais latex. É um erro: promover a saúde sexual terá que passar ― e as autoridades sanitárias reconhecê-lo-ão mais cedo ou mais tarde ― pela promoção da abstinência pré-matrimonial, da fidelidade conjugal, da instituição do casamento heterossexual, e do apoio à natalidade e à família, ambiente mais propício para o saudável desenvolvimento das crianças, e amparo dos mais velhos. A família tradicional é o garante da saúde, segundo o modelo bio-psico-social.
Nunc carpamus musicam plebis sine barbarismis :)
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.

«Proselitismo cristão é terrorismo religioso»

Quando se pensa que já nada de muito surpreendente pode vir do islão, apanha-se com uma notícia destas:
«Siete mil ulemas (estudiosos del Corán) de Marruecos rechazan en un mensaje colectivo el proselitismo cristiano en su país y lo equiparan incluso con una "violación moral" y con el "terrorismo religioso" (...)»
É deveras extraordinário que os sábios da religião que tem como mais elevada prática de piedade religiosa a guerra em nome do seu deus(1) e que considera mártires os que morrem nesse processo e os considera os mais venturosos dentre os homens(2) ― em suma, uma religião beligerante por excelência ―, considere terrorista a acção evangelizadora pacífica. Esta gritante dualidade moral é um exemplo do modo segundo o qual o pensamento islâmico julga a bondade de uma acção: o único critério de para de bondade moral de uma acção é ser vantajoso para o islão. (1) - «A man came to Allah's Apostle and said, "Instruct me as to such a deed as equals Jihad (in reward)." He replied, "I do not find such a deed." (...)» Bukhari, Book 4, Volume 52, Hadith 44
(2) -«I heard Allah's Apostle saying, "The example of a Mujahid in Allah's Cause ― and Allah knows better who really strives in His Cause ― is like a person who fasts and prays continuously. Allah guarantees that He will admit the Mujahid in His Cause into Paradise if he is killed, otherwise He will return him to his home safely with rewards and war booty."» Bukhari, Volume 4, Book 52, Number 46.

17.4.10

«Ele considera a arte e a ciência como os dons mais preciosos de Deus ao Homem»

Compare-se a posição da Igreja perante a música com a ortodoxia islâmica, e a de Ratzinger com a do ayatolah Khomeni em relação ao divertimento(1). Via Pastoral da Cultura.
(1) - «Allah did not create man so that he could have fun. The aim of creation was for mankind to be put to the test through hardship and prayer. An Islamic regime must be serious in every field. There are no jokes in Islam. There is no humor in Islam. There is no fun in Islam. There can be no fun and joy in whatever is serious.»

Vandalismo e pobreza: nexo falso

Numa altura em que os tumultos voltam a assolar a França, perpetrados pelos "jovens" do costume, desculpabilizados pelos mesmos sábios, através dos argumentos habituais ― exclusão social, desemprego, pobreza, etc. ―, oiçam-se as palavras de um especialista francês em criminologia:
Xavier Raufer : "Qui sont les vrais pauvres dans ce pays ?" Enviado por FrenchCarcan. - Noticias em video na hora Via ExtremeCentre.org.

«Ad multos annos!»

Do blogue Fratres In Unum:

℣. Oremus pro Pontifice nostro Benedicto. ℟. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.

℣. Tu es Petrus, ℟. Et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam.

Oremus.

Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum Benedictum, quem pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti, propitius respice: da ei, quaesumus, verbo et exemplo, quibus praeest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam. Per Christum, Dominum nostrum.

℟. Amen.

16.4.10

Bento XVI sobre a peculiar natureza da Igreja

O que é preciso compreender é que a Igreja não é uma instituição secular: é uma instituição absolutamente sui generis: sendo temporal, constituída por seres humanos ― e por isso sujeita às misérias da natureza humana ―, é uma instituição divina, por ter sido fundada pelo Verbo incarnado, Deus Filho, Ele próprio; por assentar na sucessão apostólica, instituída por Jesus Cristo. Bento XVI:
«(...) se a Igreja é a nossa Igreja, se a Igreja somos apenas nós, se as suas estruturas não são as que Cristo quis, então deixa de ser concebível a existência de uma hierarquia (...) estabelecida pelo próprio Senhor. Rejeita-se o conceito de uma autoridade querida por Deus, uma autoridade que tem a sua legitimação em Deus e não - como acontece nas estruturas políticas - no consenso da maioria dos membros da organização. Mas a Igreja de Cristo não é um partido, não é uma associação, não é um clube: a sua estrutura profunda e ineliminável não é democrática, mas sacramental, portanto hierárquica»(*).
In Dag Tessore, Bento XVI: Pensamento Ético, Político e Religioso, Lisboa: Temas e Debates, 2007, p. 15
Catado numa entrada de Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo, na qual se afirma:
«Existe a convicção, incluindo no mundo católico, de que a Igreja pertence a todos nós, é uma património da humanidade e que nós próprios podemos, portanto, mudar as estruturas da Igreja, emitindo opinião, associando-nos em correntes de opinião e fazendo pressão, de molde a adaptá-la aos tempos modernos. (...) A Igreja não é nossa. A Igreja é de Cristo. Reformar a Igreja não é adaptá-la aos desejos de qualquer maioria, mesmo que essa maioria seja formada por pessoas que se proclamam católicas. Reformar a Igreja é adaptá-la aos desejos de Cristo. Sob a autoridade de Bento XVI a Igreja nunca será popular. Como se tem visto nas últimas semanas.»

Robert Spencer fala sobre o islão numa faculdade de direito

Boa palestra e sessão de perguntas e respostas com uma audiência, não exactamente hostil, mas bastante céptica perante a preocupação de Spencer em relação ao avanço do islão no Ocidente e aos perigos que esse avanço traz consigo:
Via Kitman TV.

Octoginta tres annos habet

Muitos Parabéns!

Nada Disto É Novo: Campanha contra a Igreja

Massimo Introvigne sobre uma campanha contra a Igreja:

«“Ci sono casi di abusi sessuali che vengono alla luce ogni giorno contro un gran numero di membri del clero cattolico. Purtroppo non si può più parlare di casi individuali ma di una crisi morale collettiva che forse la storia culturale dell’umanità non ha mai conosciuto in una dimensione così spaventosa e sconcertante. Numerosi sacerdoti e religiosi sono rei confessi. Non c’è dubbio che le migliaia di casi venuti a conoscenza della giustizia rappresentino solo una piccola frazione dell’ammontare autentico, dal momento che molti molestatori sono stati coperti e nascosti dalla gerarchia”. Un editoriale del New York Times del 2010? No: un discorso del 28 maggio 1937 di Joseph Goebbels (1897-1945), ministro della propaganda del Terzo Reich. Questo discorso, di grande risonanza internazionale, si situa al culmine di una campagna lanciata dal regime nazista per screditare la Chiesa Cattolica coinvolgendola in uno scandalo di preti pedofili. 276 religiosi e 49 sacerdoti secolari sono arrestati nel 1937. Gli arresti si susseguono in tutte le diocesi tedesche, in modo da tenere gli scandali sempre sulla prima pagina dei giornali.

Il 10 marzo 1937 con l’enciclica Mit brennender Sorge papa Pio XI (1857-1939) condanna l’ideologia nazista. Alla fine dello stesso mese il Ministero della Propaganda guidato da Goebbels lancia la campagna contro gli abusi sessuali dei sacerdoti. (...)»
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