22.9.08

O Dever de Morrer

O tema vai surgindo e desaparecendo, a um ritmo mais ou menos pendular, de modo a que nos vamos habituando a ele, naturalmente, sem a impressão de que nos está a ser imposto, mas com a naturalidade das coisas inevitáveis, como a própria morte. O que esta notícia tem de diferente é que, ao contrário do que é habitual na apologia deste tipo de soluções – feita com base em “razões humanitárias” – a baronesa Warnock faz a sua proposta a fim de garantir não uma morte digna, mas a sobrevivência do Sistema Nacional de Saúde Inglês (NHS). Ao que parece, feitas as contas, a aplicação da proposta desta insigne “especialista em filosofia moral” pouparia a partir do ano 2026 ao NHS 35 mil milhões de libras por ano. A baronesa Warnock avança esta proposta com base num suposto "direito a morrer" de modo a não ser um fardo para “a família e para o estado”, que pode facilmente transformar-se num “dever de morrer”, para não desequilibrar as já periclitantes contas do NHS. Entre nós, em tempos recentes, no contexto de outras discussões, múltiplas vozes se ergueram contra uma suposta legitimidade de “interromper” vidas humanas por razões sociais e financeiras. Esta proposta constitui, no fundo, uma transposição expectável desse princípio sinistro ao outro extremo do continuum vital. Ficam por fazer as contas da poupança que resultaria para o NHS da revogação da actual lei que regula o aborto até às 24 (vinte e quatro) semanas no Reino Unido (excepto na Irlanda do Norte).

1 comentário:

ejsantos disse...

CAso para dizer: Porra!
Só falta dizerem que Hitler e Staline foram uns visionários.