23.6.09

O Grande Satã será sempre o Grande Satã

Ontem, no Jornal 2 da RTP, dizia-se que os mulás do Irão teriam optado por dirigir a sua fúria irracional para o Reino Unido, responsabilizando-o pela agitação que alastrou nas ruas de Teerão e de outras cidades iranianas, alegadamente porque, estando a Casa Branca ocupada por esse semi-deus que dá sermões islamofílicos chamado Barack Hussein Obama, não teria bases para atacar os EUA, país que é designado, há pelo menos 30 anos, pelos líderes político-religiosos do Irão pelo expressivo apodo "Grande Satã". Pois parece que não é bem assim. Segundo relata Mark Steyn na National Review - aliás, em concordância com o afirmado por Caroline Glick no artigo citado no postal anterior -, o supremo-líder da revolução iraniana, o aiatóla Khamenei, continua a dedicar uma assanhada antipatia aos EUA, aparentemente insensível às prodigiosas virtudes do actual ocupante da Sala Oval:
«(...)Ayatollah Khamenei said Obama’s “agents” had been behind the protests: “They started to cause riots in the street, they caused destruction, they burnt houses.” But that wasn’t all the Great Satin did. “What is the worst thing to me in all this,” sighed the supreme leader, “are comments made in the name of human rights and freedom and liberty by American officials . . . What? Are you serious? Do you know what human rights are?”»
Ou seja, a apresentadora do Jornal 2 e a editora de política internacional da RTP devem estar a falar de um outro país ou estão a utilizar os media americanos como única fonte de informação nesta matéria.

2 comentários:

Francisco disse...

Como disse em tempos o professor José Hermano Saraiva numa entrevista na rádio (antena2 parece-me), se dermos democracia a uma sociedade neolítica, eles comem-se uns aos outros. Esperemos que não nos comam a nós por causa da nossa democracia degeneranda.

Luís Cardoso disse...

Caro Francisco,
discordo em absoluto da frase que citas. Nós não lhes demos coisa nenhuma - excepto, talvez, o exemplo que os manifestantes tentam seguir e os mulás evitar. Para além disso, estamos a falar da antiga Pérsia e não de uma qualquer tribo do deserto. A isto acresce que também nós, europeus ocidentais e de leste, já nos mostrámos inúmeras vezes e em tempos não muito remotos bem capazes de nos comermos uns aos outros e com notáveis requintes de crueldade.
Já quanto ao perigo de a degeneração da nossa cultura em geral e da cultura democrática em particular nos deixar expostos às investidas da barbárie, aí estamos de acordo.
Um abraço,