9.7.10

Duæ res quarum prima ridendo castigat mores muslimos et secunda iluminat cosmovisionem catholicam

Aqui vai mais um episódio da saga Dearborn, que podeis seguir no Amplificador, sobre como um polícia muslimo impõe a sharia numa cidade americana, e sobre como reagir a isso, com saúde mental.
De secunda re, legite hæc verba Fjordmanica ex quinta parte historiæ astrophysicæ suæ:
The cosmologist Georges Lemaître (1894-1966) from Belgium was a Catholic priest as well as a trained scientist. The combination is not unique. The Italian astronomer Angelo Secchi was a priest and the creator of the first modern system of stellar classification; the Bohemian scholar Gregor Mendel, too, was a priest and the founder of modern genetics. World War I interrupted Lemaître’s studies. Serving as an artillery officer he witnessed one of the first poison gas attacks in history. After the war he studied physics and was ordained as an abbé. In 1925 he accepted a professorship at the Catholic University of Louvain near Brussels. He reviewed the general theory of relativity and his calculations showed that the universe had to be either shrinking or expanding. Lemaître argued that the entire universe was initially a single particle – the “primeval atom” – which disintegrated in a massive explosion, giving rise to space and time. He published a model of an expanding universe in 1927 which had little impact then, but in 1930, following Hubble’s work, Lemaître’s former teacher at Cambridge University, Arthur Eddington, shared his paper with de Sitter. Albert Einstein confirmed that Lemaître’s work “fits well into the general theory of relativity.”
Santa Maria, rogai por nós.

11 comentários:

Daniel Azevedo disse...

«M. Laplace, on me dit que vous avez écrit ce volumineux ouvrage sur le système de l’Univers sans faire une seule fois mention de son Créateur ».

«Sire, je n’ai pas eu besoin de cette hypothèse.»

Francisco disse...

Olá Daniel,

Sabe que começar uma epopeia in medias res já é coisa muito antiga. Mas chega sempre aquele canto em que o poeta recorda o início de tudo; caso contrário saberia a pouco.

um abraço

Luís Cardoso disse...

Viva, Daniel.
Já leu isto?
http://www.ionline.pt/conteudo/55690-filosofia-e-religiao
Trata do caso de um colega seu.
Cumprimentos,

Daniel Azevedo disse...

Caros

Desculpem lá a provocação do Laplace mas não resisti. :o)
A verdade é que a hipótese da existência ou não de Deus me preocupa muito pouco. Sigo a via de Francis Bacon: a teologia não tem que explicar o mundo natural e vice-versa.
O que me preocupa é a separação entre ciência e ideologia. Concretamente a distinção entre "o que é" e "o que deveria ser".
Podem encontrar aqui um ensaio sobre o assunto: http://kitlv.library.uu.nl/index.php/btlv/article/viewFile/1923/2684"

Carlos Velasco disse...

Caro Francisco,

Desconhecia por completo o Pe. Lemaître. É sempre um enorme prazer descobrir mais uma informação tão importante que ignorava. Mas confesso que sou um bruto nas ciências naturais.
Uma vez o Olavo de Carvalho referiu uma obra extensa acerca dos contributos jesuítas à ciência desde o século XVI até o século XVIII. Ainda não tive o prazer de a comprar e ler, mas está aí mais uma leitura que devo fazer antes de partir. Vou ver se acho onde meti a referência para depois te passar (talvez já conheças a obra).
Quanto ao xerife do oeste que não come bacon e não toma whiskey, isso até parece coisa do Monty Python. Estão a transformar a grande república num circo.

Um grande abraço.

Luís Cardoso disse...

Caro Carlos,
não sei a que livro o Olavo se refere, mas, enquanto não o lê, veja os videos a que o Francisco fez referência nesta entrada:http://nadadistoenovo.blogspot.com/2010/06/sed-omnia-in-mensura-et-numero-et.html
Um abraço,

Francisco disse...

Caríssimos,

Antes de mais as minhas desculpas pelo atraso na resposta.

Daniel,
Escusa de pedir desculpa pelas citações; a postura correcta do crente é a de se servir dos dons naturais, entre os quais a razão, e os sobrenaturais, mormente a fé,

que recebeu, para melhor compreender o mundo. De facto a partir do momento em que Deus deu corda ao mundo isto tem funcionado bem sem a necessidade da intervenção

divina. Mas Deus teve que dar corda ao mundo, isto é, dispôs tudo "com conta, peso e medida", nas palavras da Scriptura. Deus tem que ter sido essa 1ª causa. Daí o

Laplace dizer não ter precisado de Deus: Deus deixou-lhe a papinha feita! Deus não precisa de corrigir os bugs da sua criação original, embora por vezes nos queira

mostrar que é o autor dessa programação original, superando-a momentaneamente (milagres).

Obrigado pelo ensaio que partilhou connosco. Não sendo a minha especialidade, e por isso passando ao lado de umas quantas ideias do autor, gostava de lhe destacar uma

frase, what we call science is part of, or was developed within the confines of, Western culture and is ultimately the product of Western ideology. A este

propósito remeto o Daniel uma vez mais para as palestras do americano. No episódio anterior ao galilaico fala-

se de como a ideia de um Deus racional inerrante e de uma criação ordenada, ideias não partilhadas com (todas?) as outras culturas, é a semente do espírito

scientífico. Não será isto um argumento a favor da pertinência da questão "Existe, não existe?"

Mas partilho com o Daniel a preocupação da separação entre "o que é" e "o que deveria ser". Uma carta de um sobrevivente do Holocausto:

"Caro Professor
Sou um sobrevivente de um campo de concentração. Os meus olhos viram o que jamais olhos humanos deveriam poder ver:
- câmaras de gás construídas por engenheiros doutorados;
- adolescentes envenenados por físicos eruditos;
- crianças assassinadas por enfermeiras diplomadas;
- mulheres e bebés queimados por bacharéis e licenciados.
Por isso desconfio da ciência.
Eis o meu apelo: ajudem os vossos alunos a serem humanos. Que os vossos esforços nunca possam produzir monstros instruídos, psicopatas competentes, Eichmanns educados.

A leitura, a escrita, a aritmética só são importantes se tornarem as nossas crianças mais humanas."

Francisco disse...

Escreveu o Papa recentemente sobre "O DESENVOLVIMENTO DOS POVOS E A TÉCNICA

68. (...) Não se trata de um desenvolvimento garantido por mecanismos naturais, porque cada um de nós sabe que é capaz de realizar opções livres e responsáveis; também não se trata de um desenvolvimento à mercê do nosso capricho, enquanto todos sabemos que somos dom e não resultado de autogeração. Em nós, a liberdade é
originariamente caracterizada pelo nosso ser e pelos seus limites. Ninguém plasma arbitrariamente a própria consciência, mas todos formam a própria personalidade sobre a base duma natureza que lhes foi dada. Não são apenas as outras pessoas que são indisponíveis; também nós não podemos dispor arbitrariamente de nós mesmos. O desenvolvimento da pessoa degrada-se, se ela pretende ser a única produtora de si mesma. De igual modo, degenera o desenvolvimento dos povos, se a humanidade pensa que se pode recriar valendo-se dos « prodígios » da tecnologia. (...) [D]evemos robustecer o amor por uma liberdade não arbitrária, mas tornada verdadeiramente humana pelo reconhecimento do bem que a precede. Com tal objectivo, é preciso que o homem reentre em si mesmo, para reconhecer as normas fundamentais da lei moral natural que Deus inscreveu no seu coração.

69. (...) A técnica — é bom sublinhá-lo — é um dado profundamente humano, ligado à autonomia e à liberdade do homem. Nela exprime-se e confirma-se o domínio do espírito sobre a matéria. O espírito, « tornando-se assim ‘‘mais liberto da escravidão das coisas, pode facilmente elevar-se ao culto e à contemplação do Criador'' ».
A técnica permite dominar a matéria, reduzir os riscos, poupar fadigas, melhorar as condições de vida. Dá resposta à própria vocação do trabalho humano: na técnica, considerada como obra do génio pessoal, o homem reconhece-se a si mesmo e realiza a própria humanidade. A técnica é o aspecto objectivo do agir humano, cuja origem e razão de ser estão no elemento subjectivo: o homem que actua. Por isso, aquela nunca é simplesmente técnica; mas manifesta o homem e as suas aspirações ao desenvolvimento, exprime a tensão do ânimo humano para uma gradual superação de certos condicionamentos materiais. Assim, a técnica insere-se no mandato de « cultivar e guardar a terra » (Gn 2, 15) que Deus confiou ao homem, e há-de ser orientada para reforçar aquela aliança entre ser humano e ambiente em que se deve reflectir o amor criador de Deus.

Francisco disse...

70. O desenvolvimento tecnológico pode induzir à ideia de auto-suficiência da própria técnica, quando o homem, interrogando-se apenas sobre o como, deixa de considerar os muitos porquês pelos quais é impelido a agir. Por isso, a técnica apresenta-se com uma fisionomia ambígua. Nascida da criatividade humana como instrumento da liberdade da pessoa, pode ser entendida como elemento de liberdade absoluta; aquela liberdade que quer prescindir dos limites que as coisas trazem consigo. O processo de globalização poderia substituir as ideologias com a técnica, passando esta a ser um poder ideológico que exporia a humanidade ao risco de se ver fechada dentro de um a priori do qual não poderia sair para encontrar o ser e a verdade. Em tal caso, todos nós conheceríamos, avaliaríamos e decidiríamos as situações da nossa vida a partir do interior de um horizonte cultural tecnocrático, ao qual pertenceríamos estruturalmente, sem poder jamais encontrar um sentido que não fosse produzido por nós. Esta visão torna hoje tão forte a mentalidade tecnicista que faz coincidir a verdade com o factível. Mas, quando o único critério da verdade é a eficiência e a utilidade, o desenvolvimento acaba automaticamente negado. De facto, o verdadeiro desenvolvimento não consiste primariamente no fazer; a chave do desenvolvimento é uma inteligência capaz de pensar a técnica e de individualizar o sentido plenamente humano do agir do homem, no horizonte de sentido da pessoa vista na globalidade do seu ser. Mesmo quando actua mediante um satélite ou um comando electrónico à distância, o seu agir continua sempre humano, expressão de uma liberdade responsável. A técnica seduz intensamente o homem, porque o livra das limitações físicas e alarga o seu horizonte. Mas a liberdade humana só o é propriamente quando responde à sedução da técnica com decisões que sejam fruto de responsabilidade moral. Daqui, a urgência de uma formação para a responsabilidade ética no uso da técnica. A partir do fascínio que a técnica exerce sobre o ser humano, deve-se recuperar o verdadeiro sentido da liberdade, que não consiste no inebriamento de uma autonomia total, mas na resposta ao apelo do ser, a começar pelo ser que somos nós mesmos.

71. Esta possibilidade da mentalidade técnica se desviar do seu originário álveo humanista ressalta, hoje, nos fenómenos da tecnicização do desenvolvimento e da paz. Frequentemente o desenvolvimento dos povos é considerado um problema (...) apenas técnico. Todos estes âmbitos são muito importantes, mas não podemos deixar de interrogar-nos por que motivo, até agora, as opções de tipo técnico tenham resultado apenas de modo relativo. A razão há-de ser procurada mais profundamente. O desenvolvimento não será jamais garantido completamente por forças de certo modo automáticas e impessoais, sejam elas as do mercado ou as da política internacional. O desenvolvimento é impossível sem homens rectos, sem operadores económicos e homens políticos que sintam intensamente em suas consciências o apelo do bem comum. São necessárias tanto a preparação profissional como a coerência moral. Quando prevalece a absolutização da técnica, verifica-se uma confusão entre fins e meios: como único critério de acção, o empresário considerará o máximo lucro da produção; o político, a consolidação do poder; o cientista, o resultado das suas descobertas. Deste modo sucede frequentemente que, sob a rede das relações económicas, financeiras ou políticas, persistem incompreensões, contrariedades e injustiças; os fluxos dos conhecimentos técnicos multiplicam-se, mas em benefício dos seus proprietários, enquanto a situação real das populações que vivem sob tais influxos, e quase sempre na sua ignorância, permanece imutável e sem efectivas possibilidades de emancipação.

(...)

Francisco disse...

74. Hoje, um campo primário e crucial da luta cultural entre o absolutismo da técnica e a responsabilidade moral do homem é o da bioética, onde se joga radicalmente a própria possibilidade de um desenvolvimento humano integral. Trata-se de um âmbito delicadíssimo e decisivo, onde irrompe, com dramática intensidade, a questão fundamental de saber se o homem se produziu por si mesmo ou depende de Deus. As descobertas científicas neste campo e as possibilidades de intervenção técnica parecem tão avançadas que impõem a escolha entre estas duas concepções: a da razão aberta à transcendência ou a da razão fechada na imanência. Está-se perante uma opção decisiva. No entanto a concepção racional da tecnologia centrada sobre si mesma apresenta-se como irracional, porque implica uma decidida rejeição do sentido e do valor. Não é por acaso que a posição fechada à transcendência se defronta com a dificuldade de pensar como tenha sido possível do nada ter brotado o ser e do acaso ter nascido a inteligência. Face a estes dramáticos problemas, razão e fé ajudam-se mutuamente; e só conjuntamente salvarão o homem: fascinada pela pura tecnologia, a razão sem a fé está destinada a perder-se na ilusão da própria omnipotência, enquanto a fé sem a razão corre o risco do alheamento da vida concreta das pessoas.

75 (...) [H]oje a questão social se tornou radicalmente antropológica, enquanto toca o próprio modo não só de conceber mas também de manipular a vida, colocada cada vez mais nas mãos do homem pelas biotecnologias. A fecundação in vitro, a pesquisa sobre os embriões, a possibilidade da clonagem e hibridação humana nascem e promovem-se na actual cultura do desencanto total, que pensa ter desvendado todos os mistérios porque já se chegou à raiz da vida. Aqui o absolutismo da técnica encontra a sua máxima expressão. Em tal cultura, a consciência é chamada apenas a registar uma mera possibilidade técnica. Contudo não se podem minimizar os cenários inquietantes para o futuro do homem e os novos e poderosos instrumentos que a « cultura da morte » tem à sua disposição. À difusa e trágica chaga do aborto poder-se-ia juntar no futuro — embora sub-repticiamente já esteja presente in nuce — uma sistemática planificação eugenética dos nascimentos. No extremo oposto, vai abrindo caminho uma mens eutanasica, manifestação não menos abusiva de domínio sobre a vida, que é considerada, em certas condições, como não digna de ser vivida. Por detrás destes cenários encontram-se posições culturais negacionistas da dignidade humana. Por sua vez, estas práticas estão destinadas a alimentar uma concepção material e mecanicista da vida humana. Quem poderá medir os efeitos negativos de tal mentalidade sobre o desenvolvimento? Como poderá alguém maravilhar-se com a indiferença diante de situações humanas de degradação, quando se comporta indiferentemente com o que é humano e com aquilo que não o é? Maravilha a selecção arbitrária do que hoje é proposto como digno de respeito: muitos, prontos a escandalizar-se por coisas marginais, parecem tolerar injustiças inauditas. Enquanto os pobres do mundo batem às portas da opulência, o mundo rico corre o risco de deixar de ouvir tais apelos à sua porta por causa de uma consciência já incapaz de reconhecer o humano. Deus revela o homem ao homem; a razão e a fé colaboram para lhe mostrar o bem, desde que o queira ver; a lei natural, na qual reluz a Razão criadora, indica a grandeza do homem, mas também a sua miséria quando ele desconhece o apelo da verdade moral.

(...)

Francisco disse...

77. O absolutismo da técnica tende a produzir uma incapacidade de perceber aquilo que não se explica meramente pela matéria; e, no entanto, todos os homens experimentam os numerosos aspectos imateriais e espirituais da sua vida. Conhecer não é um acto apenas material, porque o conhecido esconde sempre algo que está para além do dado empírico. Todo o nosso conhecimento, mesmo o mais simples, é sempre um pequeno prodígio, porque nunca se explica completamente com os instrumentos materiais que utilizamos. Em cada verdade, há sempre mais do que nós mesmos teríamos esperado; no amor que recebemos, há sempre qualquer coisa que nos surpreende. Não deveremos cessar jamais de maravilhar-nos diante destes prodígios. Em cada conhecimento e em cada acto de amor, a alma do homem experimenta um « extra » que se assemelha muito a um dom recebido, a uma altura para a qual nos sentimos atraídos. Também o desenvolvimento do homem e dos povos se coloca a uma tal altura, se considerarmos a dimensão espiritual que deve necessariamente conotar aquele para que possa ser autêntico. Este requer olhos novos e um coração novo, capaz de superar a visão materialista dos acontecimentos humanos e entrever no desenvolvimento um « mais além » que a técnica não pode dar. Por este caminho, será possível perseguir aquele desenvolvimento humano integral que tem o seu critério orientador na força propulsora da caridade na verdade."

O Daniel já leu alguma coisa do Einstein? Sei que ele acreditava em Deus, duma maneira não canónica, e parece que escreveu algumas coisas interessantes à volta da ciência. Vá dizendo qualquer coisa. Da minha parte ainda não andei a vasculhar no archivo secreto do vaticano sobre o galileu. Talvez um dia!


Carlos,

Ainda bem que acha que vamos publicando aqui alguma coisa nova! Muito obrigado pela referência, agradecia que ma desse se a encontrar, porque não devo conhecer. De facto há muitas figuras do mundo religioso com importância no científico; aqui vamos tentando reconciliar o mundo intelectual com o religioso.

Quanto aos americanos, tem toda a razão! Quando quiser vir domar a fera aqui connosco o Carlos já sabe que está à vontade. Vou enviar-lhe um convite para escrever aqui no blog!


Luís,

Muito obrigado pelas referências. Ainda bem que gostaste do Camões; desprezei um pouco a compreensão do texto a favor do rigor ortho e typographico da época, mas ficou tão bonito!


A todos, um grande abraço e boas férias!