7.1.10

Eurábia: antevisão (6)

Através da leitura da notícia infra, publicada pelo Daily Mail Online, podemos tomar o pulso à eurabização do Reino Unido - concretamente de um dos pilares do Estado, os Tribunais -, através do reconhecimento de direitos especiais aos muçulmanos suficientemente convictos para afrontar as normas do país que habitam. Se não, vejamos:
  • Os acusados recusaram levantar-se à entrada da juíza; perante isto, foi-lhes autorizado que entrassem depois dela. A sua justificação para a recusa em proceder de acordo com a prática corrente nos tribunais ingleses foi de natureza religiosa.
  • Aos réus foi aumentada a duração do intervalo para almoço, de modo a permitir-lhes ir à mesquita para a oração da tarde.
  • Para além disso, foi-lhes facultada uma sala tranquila para poderem fazer pausas de oração durante as sessões do julgamento.
Atente-se à alegação apresentada pelo advogado dos réus, nos dois últimos parágrafos da notícia, segundo a qual num país muçulmano é um pecado grave mostrar respeito pondo-se de pé a alguém, senão ao próprio Alá. Ou seja, os réus reclamam o direito de agir como se estivessem num país muçulmano e esse direito é-lhes concedido. O Reino Unido, de acordo com a actuação da senhora juíza Carolyn Mellanby, é um país muçulmano de facto, mesmo que ainda só parcialmente de jure. Este caso põe-nos novamente perante um problema grave para a nossa sociedade, nomeadamente a questão de definir quais os limites que uma sociedade ocidental deve impor a procedimentos realizados alegadamente na observância dos ditames de uma religião. Estaremos dispostos, por exemplo, a permitir a poligamia ou os casamentos de menores? E a permitir que uma viúva se imole sobre a pira funerária do seu defunto marido? A democracia é um regime frágil. A liberdade religiosa, se for aplicada de forma perversa, pode tornar-se um instrumento anti-democrático.
«Seven Muslim protesters accused of screaming insults at soldiers during an Iraq homecoming parade refused to stand for a judge yesterday. (...) After refusing to stand they were threatened with being found in contempt of court by a clearly angry District Judge Carolyn Mellanby. They insisted it was a 'grave and cardinal sin' to show anyone other than Allah respect by standing. Eventually, a compromise was reached where they would enter the court after her during the trial (...). The defendants were given an extra 20 minutes on top of their lunch break to go to pray at a mosque a few minutes' walk away. A separate 'quiet' room has been set aside for their regular prayer intervals for the rest of the week. The seven accused men are Munin Abdul, 28, Jalal Ahmed, 21, Jabair Ahmed, 19, Yousaf Bashir, 29, Shajjadar Choudhury, 31, Ziaur Rahman, 32, and white Muslim Ibrahim Anderson, 32, all from Luton. (...) Despite the nature of the allegations against them the seven men did not appear in the dock because they are not charged with an imprisonable offence and are not in custody. When they refused to stand, Judge Mellanby said: 'It is procedure that all people stand when I come into court. I am asking them to defer to conventional practices in respect to the court. I'm not asking them to stand for me.' Neil Mercer, defending Abdul and Rahman, said: 'In Muslim countries it is a grave and cardinal sin to show respect in this way to anyone other than God himself. Their reasons would be the same if it was the Queen, with respect.' He added: 'It is an important religious observance which, if they break, they find themselves in mortal sin. They cannot make a show of respect to a human being, whoever that human being is, whether it is the Queen or the Lord Chief Justice or an imam.'»

3 comentários:

ejsantos disse...

Boa tarde.
Caro Luís, esta época em que vivemos faz-me recordar a decada de 30 até 1942. Sempre que vejo documentários sobre a II Guerra Mundial, sinto uma angustia terrivel. Só a partir da Vitória de Stalingrad é que animo.
Agora estamos numa situação parecida à da década de 30. E, o que é mais curioso, o Chamberlain voltou em força, na Inglaterra. E acredito que ainda vamos ter clonflitos armados gravissimos no futuro próximo, e os nossos compatriotas insistem em continuar em negação!

Francisco disse...

neste dia de luto, uma palavra de agradecimento por este blog contra a derrocada da civilização. Continua, Luís

Luís Cardoso disse...

Sim, caro Santos, o mecanismo de defesa "negação" é poderoso e perigoso. Às vezes, mesmo depois de levarmos com uma coisa na cabeça, continuamos a negar o facto de que algo nos atingiu.
Uma nota histórica: a vitória de Estalinegrado foi amarga e doce, já que marcou o triunfo do estalinismo e o reforço do regime soviético, ele mesmo tão perverso como o regime nacional-socialista.

Caro Francisco,

Obrigado pelas palavras de incentivo; bem preciso.