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2.12.10

Robertus Spencer & Petrus Kreeft quærentes: «Omnis perfectus muslimus estne malus muslimus?»

Em boa hora se juntaram estes dois amigos, intelectuais destacados de língua inglesa, cada um na sua área, a convite do Colégio de Artes Liberais de São Thomas Morus, para debaterem sobre se todo o muçulmano praticante tem que ser uma má pessoa, e se a intrusão islâmica no Ocidente será pior do que a secularização selvagem e apóstata da nossa civilização. À direita, pelo sim, Robert Spencer, assídua presença aqui no blog, em palestras e livros sobre o islão e editor do valiosíssimo JihadWatch, de cujo canal YouTube nos servimos para partilhar a conversa seguinte. À esquerda, pelo não, o filósofo ex-calvinista Peter Kreeft, professor de faculdade do 'Bob', e já aqui citado a propósito das Guerras Culturais e dos veros inimigos do Homem.

A sessão é bem audível passados os dois primeiros minutos, e prolonga-se com altíssimo nível por quase duas horas. Toca em muitos temas histórico-theológicos, pelo que se tendes questões ou dúvidas nalgum ponto em concreto fazei favor de comentá-lo, e esforçar-nos-emos por responder. Se puderdes legendar o filme na língua de Camões, força e o nosso agradecimento :)


«Peter Kreeft and Robert Spencer Engage in Lively Debate on Islam

by THOMAS MORE COLLEGE on NOVEMBER 8, 2010
On Nov. 4, 2010, Thomas More College hosted two of the leading writers on religion in the English-speaking world: Philosopher and apologist Peter Kreeft, professor of philosophy at Boston College, and internationally-known scholar and critic of Islam Robert Spencer, director of Jihadwatch. These two eminent thinkers came to the school’s New Hampshire campus on a rainy Thursday night and spoke to a crowd of more than 100 visitors , along with the whole of Thomas More College’s student body, crammed into the Newman Humanities room and spilling out into the hallways, as cameras rolled. The debate was chaired by Thomas More College’s Writer-in-Residence Dr. John Zmirak, author of The Bad Catholic’s Guide to the Seven Deadly Sins (New York: Crossroad Publishing, 2010). Both Spencer and Kreeft contributed essays to Disorientation: How to Go To College Without Losing Your Mind (West Chester, PA: Ascension Press, 2010), which Zmirak edited. Spencer’s essay criticized the anti-Western ideology of Multiculturalism, and Kreeft’s the heresy of Progressivism, or “chronological snobbery.”

Kreeft is author of more than 45 books about faith and philosophy, including such classics as Making Sense of Suffering and The Handbook of Christian Apologetics, and the provocative Ecumenical Jihad: Ecumenism and the Culture War. Spencer, a former philosophy student of Kreeft’s, has written ten books, including New York Times bestsellers The Truth About Muhammad and The Politically Incorrect Guide to Islam (and the Crusades); he also edits the daily news site Jihadwatch, which tracks jihad-related violence and activism around the world, and consults regularly for the FBI and other national security agencies. While Kreeft is widely detested by dissenting Catholics and atheists for his agility at besting them in debates, Spencer is on a list of four Americans targeted by Al-Qaeda for assassination.
The authors came at the invitation of Thomas More College’s Edmund Campion Debate Society, which sponsors regular student debates on philosophical and theological issues—most recently the morality of the 18th (Prohibition) Amendment to the U.S. Constitution, and the “just war” credentials of the American Revolution.
On Nov. 4 the topic was “Is the Only Good Muslim a Bad Muslim?” Mr. Spencer came to argue that Islam as codified in the Q’uran and explicated by all authoritative sources aspires to subjugate and oppress “unbelievers” and impose sharia law throughout the world; because sharia law is inimical to religious freedom and to human dignity, we as Catholics should hope that Muslims are not devout enough to advocate it, (as their own faith says they must) by either warlike or peaceful means.

8.9.10

Papa Bento XVI: São Justino, filósofo e mártir

Talvez este venha a ser o primeiro de uma série de entradas com as catequeses do Papa Bento XVI sobre os Padres da Igreja.

PAPA BENTO XVI AUDIÊNCIA GERAL Quarta-feira, 21 de Março 2007

São Justino, filósofo e mártir

Amados irmãos e irmãs!

Estamos a reflectir, nestas catequeses, sobre as grandes figuras da Igreja nascente. Hoje falamos de São Justino, filósofo e mártir, o mais importante dos Padres apologistas do segundo século. A palavra "apologistas" designa aqueles escritores cristãos antigos que se propunham defender a nova religião das pesadas acusações dos pagãos e dos judeus, e difundir a doutrina cristã em termos adequados à cultura do próprio tempo. Assim nos apologistas está presente uma dupla solicitude: a mais propriamente apologética, de defender o cristianismo nascente (apologhía em grego significa precisamente "defesa") e a "missionária", que expõe os conteúdos da fé numa linguagem e com categorias de pensamento compreensíveis aos contemporâneos.

Justino nasceu por volta do ano 100 na antiga Siquém, em Samaria, na Terra Santa; ele procurou por muito tempo a verdade, peregrinando nas várias escolas da tradição filosófica grega. Finalmente como ele mesmo narra nos primeiros capítulos do seu Diálogo com Trifão uma personagem misteriosa, um idoso encontrado à beira-mar, inicialmente pô-lo em dificuldade, demonstrando-lhe a incapacidade do homem de satisfazer unicamente com as suas forças a aspiração pelo divino. Depois indicou-lhe nos antigos profetas as pessoas às quais se dirigir para encontrar o caminho de Deus e a "verdadeira filosofia". Ao despedir-se dele, o idoso exortou-o à oração, para que lhe fossem abertas as portas da luz. A narração vela o episódio crucial da vida de Justino: no final de um longo itinerário filosófico de busca da verdade, ele alcançou a fé cristã.

Fundou uma escola em Roma, onde gratuitamente iniciava os alunos na nova religião, considerada como a verdadeira filosofia. De facto, nela tinha encontrado a verdade e portanto a arte de viver de modo recto. Por este motivo foi denunciado e foi decapitado por volta do ano de 165, sob o reinado de Marco Aurélio, o imperador filósofo ao qual o próprio Justino tinha dirigido a sua Apologia.

5.9.10

Estote fortes in bello et pugnate cum antiquo serpente et accipietis regnum æternum. Alleluia!

De entre os inimigos que enfrentemos, o menos novo e pai deles todos é a serpente que jurou ódio æterno aos nossos primeiros pais no Jardim do Éden. Ele, que ataca a Humanidade inteira, destila especial ódio ao Povo de Deus, os Judeus da Antiga Aliança e a Egreja Cathólica da Nova, e de muitos modos nos arma insídias, até aos mais fracos e fragilizados no seu íntimo. Interessa conhecer este adversário covardíssimo, não de mais para não cairmos no desânimo, mas ao menos reconhecê-lo como tal e revestirmo-nos das armas d'Aquele a Quem o biltre nunca servirá, mas a'O Qual obedece por força e não por vontade. Aut audite [53min21sec] aut legite Petrum Kreeft:
How to Win the Culture War — Transcription

1. We Are at War

To win any war and any kind of war, I think the three most necessary things we must know are:
  1. that we are at war;
  2. who our enemy is; and
  3. what weapons or strategies can defeat him.
We cannot win a war: first, if we are blissfully sewing peace banners on the battlefield; or second, if we are too busy fighting civil wars against our allies; or, third, if we are using the wrong weapons. For instance, we must fight fire with water—not fire.

Rino Cammilleri, autor a seguir

De regresso de uma estadia em Roma, da qual, não me faltasse o engenho e a arte ― a escassez de tempo é mera desculpa ― muito haveria a escrever, faço a minha reentrada no mundo dos mortos-vivos que é a blogosfera com uma referência a um autor italiano de um género que, para desgraça da nação lusa e da fé na Igreja, por cá não se pratica: a apologia do catolicismo. Na Itália são muitos os apologetas que não se calam perante as permanentes investidas dos progressistas anticatólicos, os quais, com ou sem fundamento, a propósito e a despropósito, se dedicam à revolucionária missão de atacar a Igreja, a qual é, segundo Gramsci, o maior inimigo da revolução. Para além de Sandro Magister e Massimo Introvigne, já presentes neste blogue, urge acrescentar Rino Cammilleri, a cujo conhecimento cheguei por feliz acaso, melhor, pela mão da Providência, através do livro L'ultima Difesa del Papa Re - Elogio del Sillabo di Pio IX, no qual tropecei num alfarrabista situado numa passagem subterrânea para peões na Via del Tritone, a caminho da Piazza Barberini. Neste livro, Cammilleri, após uma extensa introdução, na qual contextualiza historicamente o Syllabus errorum, apenso à encíclica Quanta cura de Pio IX , comenta, uma a uma, as proposições condenadas naquele documento. Desse modo, Cammilleri fornece ao leitor ignorante, como eu, chaves de compreensão do controverso texto e demonstra que Pio IX anteviu, se quisermos profeticamente, os efeitos corrosivos das proposições liberais condenadas, muitas das quais constituem artigos de fé do pensamento correcto vigente. Chega-se à conclusão, ainda, de que muitos desses artigos de fé são actualizações de heresias cristãs, ocorrendo dizer: nada disto é novo. A propósito ― e neste momento, removo o meu chapéu imaginário para cumprimentar o Carlos Velasco, autor d'O Gládio, leitor amigo e, em breve, colaborador deste blogue, que publicou uma entrada recente sobre este assunto ―, pode mencionar-se a relação apontada por Cammilleri entre o ecologismo radical e a heresia cátara-albigense, para a qual o Homem é uma força do mal, agente destruidor, cuja população urge controlar, no extremo eliminar. Aqui fica, para aguçar o interesse e para instrução dos interessados, o excerto do livro concernente à terceira proposição condenada, com a qual tem início a passagem:
III
L'umana ragione senza tenere nessun conto di Dio, è l'unica arbitra del vero e del falso, del bene e del male, è legge a se stessa, e con le sue forze naturali basta a procacciare il bene degli uomini e dei popoli.
Allocuzione Maxima quidem, 9 giugno 1862
Quell'esercizio onanistico della ragione che si chiama «utopia» e che consiste nel mettersi a tavolino e «ragionare» su come si possa fare felice l'umanità riorganizzandole l'esistenza, un giorno, come è noto, cessò di essere trastullo di gente come Platone, Thomas More e Bacone per passare nelle mani di Rousseau, Robespierre, Marx. Cominciarono così gli «ismi» e il sangue non cessò più di scorrere, inaugurando un'era di inaudita sofferenza per quell'umanità che, al confronto, aveva prima al massimo qualche problema pratico. Il Sillabo preannuncia gli esiti funesti di tutti gli «ismi»; anche dell'«eclettismo» (come si diceva allora), cioè del sincretismo, che poi sarebbe lo zio (se non il padre) dell'attuale New Age. Il Sillabo dice ai suoi contemporanei: attenti perché, malgrado le grandi promesse e speranze che cominciano a baluginare, poi va a finire male. È la messa in guardia dalle ideologie, schemi di pensiero che rovesciano la dialettica cristiana; quest'ultima parte dalla vita, dall'esperienza, e sale al pensiero, laddove quelle fanno il contrario. « Cominciamo col togliere di mezzo tutti i fatti», diceva Rousseau nell'incipit del suo Discours de l'inégalité parmi les hommes. Ci vo leva coraggio, da parte di Pio IX, perché davvero a quel tempo il cristianesimo doveva sembrare il passato e le nuove ideologie il radioso avvenire. Ci voleva realmente la statura del profeta per non lasciarsi abbagliare dagli ideali di allora, Nazione, Libertà, Democrazia, che tanti generosi idealisti (giovani soprattutto) andavano coinvolgendo. Noi oggi abbiamo sotto gli occhi due nuovi «ismi» che, paradossalmente, esaltano come «futuro» un ritorno al passato, anche se si tratta di un «passato» immaginario, come quel famoso «stato di natura» che esisteva solo nella testa senza parrucca dei philosophes. Il primo è l'ecologismo, cioè la religione (perché come fede fanatica è vissuta) che vede nell'uomo un fastidioso e inquinante abitatore di Gaia, la terra, essere «vivente» su cui l'umanità vive da parassita. La maggiore organizzazione internazionale, l'ONU, ha non a caso programmato il «numero chiuso», con politiche di contenimento coercitivo delle nascite, malgrado i più autorevoli scienziati del mondo abbiano da tempo sfatato tutti i terrorismi ambientali, dal mito dell'esaurimento delle risorse a quello del fantomatico «buco nell'ozono». Non è un caso che proprio gli ambienti che hanno sempre inveito contro ogni forma di «colonialismo» plaudano alle decisioni che dispongono in modo brutale dei destini di interi popoli, pretendendo anche di stabilire quanti, come e dove abbiano il diritto di procreare e di nascere. È quantomeno singolare che una sfiducia così disperata nelle possibillità dell'uomo provenga da chi del «progressismo» ha fatto una bandiera. L'odio per la vita, per la procreazione, per il matrimonio sono antichi quanto l'eresia gnostica. Basti pensare ai Catari del Medioevo, che predicavano il suicidio e i rapporti non fecondi. Ma l'attuale Cina ancora comunista fa lo stesso (per Del Noce, lo ribadiamo, il comunismo è un «movimento gnostico di massa»), permettendo solo il figlio unico, cosa che provoca ecatombi di femmine, perché le famiglie, potendo avere un solo figlio, lo vogliono maschio. Filippo di Edimburgo, uno dei fondatori del WWF: «Se rinascessi, mi piacerebbe essere un virus letale, per contribuire a risolvere il problema dell'eccesso di popolazione». Fulco Pratesi, nel 1989 presidente del WWF italiano: «Le ricorrenti notizie di famiglie sterminate dai funghi costituiscono un buon deterrente e un discreto disincentivo alla loro raccolta selvaggia». Curioso (ma non troppo) antecedente: nella Germania nazista vigeva il divieto di vivisezione e sperimentazione su animali; la legge recava la firma di Góring. Inquietante mescolanza, in un'unica testa, di razionalismo, irrazionalismo, ecologismo: sir Arthur Conan Doyle, ex cattolico, inventore dello «scientifico» Sherlock Holmes (singolare anticipazione di certa modernità: il misogino investigatore si drogava), era spiritista, come sappiamo, e credeva nelle fate; ma scrisse anche un racconto su un luogo in cui sopravvivono i dinosauri (Un mondo perduto) e uno in cui la terra viene presentata come un immenso essere vivente (E la terra urlò). L'altro insospettabile «ismo» dei nostri giorni è il fondamentalismo. Secondo Samuel N. Eisenstadt, professore all'Università di Gerusalemme, si tratta di un fenomeno assolutamente moderno, che non rappresenta affatto - dice lo studioso - un ritorno indietro, bensì una «moderna utopia giacobina antimoderna», provvista di una rigidissima disciplina partitica e facente largo impiego di moderne tecnologie di comunicazione e di propaganda. Dietro l'apparenza di un richiamo all'ortodossia, è composto in realtà da movimenti fortemente eterodossi, di tipo totalitario. Non per niente esso è nato e si è sviluppato negli USA, attecchendo di preferenza in società protestanti; quelle cattoliche, conclude l'Eisenstadt, ne sono immuni, grazie alle «funzioni mediatrici» del papa e della Chiesa.
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