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6.12.10

A questão do Ordenado Mínimo

Tiago Loureiro, autor da entrada infra, juntou-se a'O Insurgente há relativamente pouco tempo e tem-se vindo a afirmar como um articulista original, no panorama pátrio, escrevendo com simplicidade e clareza.
Um bom articulista num blogue com elementos de qualidade muito desigual:
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O Pedro Marques Lopes percorre, aqui, um épico caminho de doze parágrafos onde passeia o fácil discurso da necessidade de atribuir artificialmente um valor mínimo ao trabalho como forma de conferir um suposto nível de dignidade ao salário de cada um. O que salta à vista, no meio de toda aquela “argumentação” já muito conhecida – não andasse a generalidade da esquerda a apregoá-la desde sempre – é uma frase que parece coroar todo o artigo e que, em boa parte, explica o raciocínio a que o Pedro Marques Lopes obedece. Diz ele que “não pode haver desenvolvimento sustentado, nem crescimento económico sem o mínimo de justiça social”. Como, nestas coisas, a ordem dos factores interessa, eu propunha-lhe que não os invertesse. Na verdade, não pode haver um mínimo de justiça social se não existir um desenvolvimento e crescimento económico que a sustentem. O resto é conversa.
Read more at oinsurgente.org

15.10.10

«Islã: 270 milhões de cadáveres em 1400 anos

Não importa o quanto se seja simpático com um golpista, ele vai se aproveitar da pessoa. Não há acordo com a ética dualista. Em resumo, a política, ética e lógica islâmicas não podem fazer parte de nossa civilização. O Islã não se deixa assimilar, ele domina. Não existe nunca esta história de "conviver" com o Islã.
Entrevista realizada pela Frontpage Magazine a Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político (CSPI). O objetivo do CSPI é ensinar a doutrina do Islã através de seus livros e ele já produziu uma série com este enfoque. O sr. Warner não escreveu a série do CSPI, mas atua como agente para o grupo de estudiosos que são os autores.

31.8.10

De cæteris et politica

Primeiro, avisar os nossos indulgentes lectores que criámos um índice para o blog com a lista alfabética de todas as setecentas e muitas mensagens aqui publicadas pelo Luís, já desde o tempo da vaidade e tudo. Também tendes à vossa disposição uma pequena aba traductora no canto superior direito do blog, que mostrará toda uma página na língua que preferirdes. Outra melhoria é a de poderdes imprimir os postais a partir do blog (função desactivada aquando da transição para o nada disto que é novo).

Arrumada a casa, passemos ao tema da política. O Apólogo de Jotão no Sagrado Livro dos Juízes ensina-nos que os melhores se acobardam de participar na liderança das nações, sendo esses lugares de destaque ocupados por quem menos merece. Não nos impressione portanto a escassez de governantes capazes, porque nada disto é exclusivo do nosso tempo:

Ierunt ligna,
ut ungerent super se regem,
dixeruntque olivæ:
“Impera nobis”.
Quæ respondit:
“Numquid possum deserere
pinguedinem meam,
qua et dii honorantur
et homines,
et venire, ut super ligna movear?”.

Dixeruntque ligna ad arborem ficum:
“Veni et super nos regnum accipe”.
Quæ respondit eis:
“Numquid possum deserere
dulcedinem meam
fructusque suavissimos et ire,
ut super cetera ligna movear?”.

Locuta quoque sunt ligna ad vitem:
“Veni et impera nobis”.
Quæ respondit:
“Numquid possum deserere
vinum meum,
quod lætificat deos et homines,
et super ligna cetera commoveri?”.

Dixeruntque omnia ligna
ad rhamnum:
“Veni et impera super nos”.
Quæ respondit eis:
“Si vere me regem vobis constituitis,
venite et sub mea umbra requiescite;
sin autem non vultis,
egrediatur ignis de rhamno
et devoret cedros Libani!”.
As árvores puseram-se a caminho
para ungirem um rei para si próprias.
Disseram, então, à oliveira:
"Reina sobre nós."
Disse-lhes a oliveira:
"Irei eu renunciar
ao meu óleo,
com que se honram os deuses
e os homens,
para me agitar por cima das árvores?"

As árvores disseram, depois, à figueira:
"Vem tu, então, reinar sobre nós."
Disse-lhes a figueira:
"Irei eu renunciar
à minha doçura
e aos meus bons frutos,
para me agitar sobre as árvores?"

Disseram, então, as árvores à videira:
"Vem tu reinar sobre nós."
Disse-lhes a videira:
"Irei eu renunciar
ao meu mosto,
que alegra os deuses e os homens,
para me agitar sobre as árvores?"

Então, todas as árvores disseram
ao espinheiro:
"Vem tu, reina tu sobre nós."
Disse o espinheiro às árvores:
"Se é de boa mente que me ungis rei sobre vós,
vinde, abrigai-vos à minha sombra;
mas, se não é assim,
sairá do espinheiro um fogo
que há-de devorar os cedros do Líbano!"

28.6.10

CAPITULO LIII ― Como foi trautada paz antre elRei Dom Hemrrique e elRei Dom Fernamdo, e com que comdiçoões

Duramdo a guerra antre Portugal e Castella, da maneira que ja teemdes ouvjdo, e trautamdosse assi estas cousas amtre elRei Daragom e elRei Dom Fernamdo, avia ja tempo que o papa Gregorio umdeçimo avia emviados por embaxadores aos Reis de Portugal e de Castella, pera poer amtrelles paz, Dom Beltram bispo de Commerçia, e Dom Agapito de Columpna bispo de Brixa: e aimda que nos antes desto nom ajamos feita meemçom da vijnda destes prelados, sabee porem que o anno passado ante que Carmona fosse filhada, chegarom elles a Sevilha, omde elRei Dom Hemrrique estava estomçe, e fallando com elle em razom de paz, quamto era neçessaria amtre os Reis, mostramdolhe os dampnos e malles que se da guerra seguiam a elles e a seus reinos, e como por tal aazo se emxalçaria a soberva dos emmijgos da santa se; outorgou elRei por sua parte de conssemtir na paz, com booas e aguisadas razoões. Depois vijndo elles a Portugal, e fallamdo a elRei Dom Fernamdo sobrello, nom menos razoões das que a elRei Dom Hemrrique aviam ditas sobre este negoçio, mas quamtos boons comselhos e autoridades se dizer podiam, pera o emduzer a aver com el paz e amorio, lhe forom per elles offereçidas e prepostas; sobre as quaaes elRei Dom Fernamdo avudo comselho, sem primeiro se espedir das aveemças e preitesias que com elRei Daragom avia trautadas, nom sabemos por qual razom determinou daver com el paz: e noteficado isto a elRei Dom Hemrrique per elles, acordarom os Reis demviar seus procuradores pera estas aveemças trautar em seu nome, a saber, elRei Dom Hemrrique, Dom Affonsso Perez de Gozmam, alguazil moor de Sevilha, e do seu comsselho; e elRei Dom Fernamdo, Dom Joham Affonsso, comde de Barçellos, o qual estava ja prestes pera se tornar outra vez a Aragom, e reçebidos quatro mil florijns pera o caminho, e elRei mandou que çessasse daquella hida, e fosse trautar esta paz e aveemça antrelle e elRei Dom Hemrrique. E feitas sobresto damballas partes firmes e abastantes procuraçoões, pera poerem perpetua paz e amor amtre os Reis, devisarom de seer todos jumtos elles e os messegeiros do papa, em huuma villa que dizem Alcoutim, bispado de Sillve no reino do Algarve. E jumtos alli pessoallmente, salvo o bispo de Commerçia, que era estomçe em Aragom, firmarom paz e amorio em nome dos Reis, recomtada em esta guisa brevemente. Que elles fossem boons e verdadeiros amigos pera sempre huum do outro, e isso meesmo seus filhos e herdeiros, e todollos poboos a elles sobjeitos. E que huum Rei nom fosse theudo dajudar o outro comtra alguuma pessoa, posto que com alguuma ouvesse desvairo, mas que elRei de Portugal fosse amigo delRei Dom Karllos de Framça, assi como elRei de Framça era delRei Dom Hemrrique; e que elRei de Framça emviasse seus messegeiros, ataa seis meses, afirmar esto com elRei Dom Fernamdo, assi como depois emviou. E por estas pazes seerem mais firmes, e os boons divedos damtre os Reis seerem sempre acreçemtados, foi trautado em estas aveemças, que elRei Dom Fernamdo casasse com a Iffamte Dona Lionor filha delRei Dom Hemrrique, com a qual ouvesse per doamçam em casamento, Çidade Rodrigo, e Vallemça Dalcamtara com todos seus termos, e Monte rei, e Alhariz com seus alfozes e fortallezas, os quaaes logares fossem pera sempre da coroa do reino de Portugal; e alguuns escrevem que avia daver mais em dinheiro tres comtos da moeda de Castella: e que elRei Dom Fernamdo desse aa dita Iffamte todollos logares, que forom dados per elRei Dom Affomso seu avoo aa Rainha Dona Beatriz, em arras de seu casamento. E avia de ser emtregue a Iffamte a elRei pera a reçeber e aver por molher, no estremo dos reinos, antre Talleiga e Figueira, do dia deste trauto firmado a çimquo meses primeiros; com comdiçom prometida e jurada per elRei, assi com cada huum dos outros capitullos, que do dia que fosse emtregue ataa sete meses, nom ouvesse com ella jumtamento carnal: e esto fazia elRei seu padre, porque ella era aimda mujto moça, e dezia que lhe quiria em tanto guisar muj honrradamente todo o que compria pera a festa de suas vodas; e esta comdiçom foi a elRei Dom Fernamdo muj maa doutorgar, porem aaçima ouveo de fazer; e diziamlhe alguuns que juras de foder nom som pera creer, que jurasse el foutamente este capitullo, ca nom minguaria quem tomasse por elle o pecado deste juramento sobre si. E foi por esto avuda despenssaçom, por o divedo que amtrelles avia, e pubricada na çidade de Sevilha per o dito Dom Agapito, messegeiro do papa. Foi mais firmado amtre os Reis ambos, que elRei Dom Fernamdo abrisse maão e desemparasse todollos logares e terras, que el e aquelles que sua voz mantijnham, cobrarom do senhor de Castella, salvo dos que avia daver e casamento; e isso meesmo fezesse elRei Dom Hemrrique dos que cobrara de Portugal, tirados os bastiçimentos e ouro e prata que cada huum em elles tijnha posto. E perdoaram dhuuma parte aa outra, des o caso mayor ataa o menor, a todollos que em serviço dos senhores amdarom, e se alçarom com villas e castellos e tomarom voz comtra elles; e ficarom os Reis emtregar todos seus beens de raiz, salvo se foi aos de Carmona que aimda em este tempo tijnham voz por Portugal, posto que ja tenhamos escripto sua tomada della, por os quaaes elRei Dom Fernamdo fez mujto por emtrarem em este trautos, e numca elRei de Castella em ello quis comssemtir, dizemdo por escusa, que perdoar aos de Carmona, era cousa per que se podia recreçer gram desvairo antrelle e elRei Dom Fernamdo, mas que a molher do comde Dom Fernamdo de Castro, com seu filho e companha e cousas suas, se fosse a Portugal pera seu marido, ou omde lhe proguesse. Outro si que todos prisioneiros, que em esta guerra forom filhados, fossem entregues de huuma parte aa outra sem remdiçom nenhuuma, posto que aveemça tevessem feita com aquelles que os tijnham em seu poder. E assim poserom outros capitullos, que por nom alomgar leixamos de dizer, per que partirom geerallmente de toda comtemda, que per quallquer guisa antre os Reis ataaquel tempo podesse naçer: os quaaes os ditos procuradores jurarom aos samtos evangelhos nas almas dos Reis ambos, e fezerem preito e menagem nas maãos do dito dellegado, que elles guardem compridamente estas pazes, e jurem outros taes juramentos per suas pessoas, sometemdo os ditos Reis e seus reinos a çensura e sentença ecclesiatica, himdo comtra esto per alguuma guisa. E que fossem postos ataa primeiro dia de mayo çertos castellos em arrefeens, a saber, da parte delRei Dom Fernamdo, Olivemça, e Campo mayor, e Noudal, e Marvom, os quaaes avia de teer Dom frei Alvoro Gomçallvez prior do Espital; e da parte delRei Dom Hemrrique, Alboquerque, e Exrez, e Badalhouçe, e a Codesseira, que tevesse Affonsso Perez de Gozmam. E forom trautadas e juradas estas pazes com muitas mais firmezas e comdiçoões no dito logar Dalcoutim, postumeiro dia de março da dita era de quatro çentos e nove annos, as quaaes elRei Dom Fernamdo dhi a dous dias jurou na çidade Devora, fazemdo preito e menagem nas maãos do dito dellegado de as teer e guardar compridamente, o que el depois muj mal fez, segumdo adeamte ouvirees. E dalli emviou a Castella o doutor Gil Dosem, e Affonsso Gomez da Sillva, pera reçeberem delRei Dom Hemrrique semelhavel firmeza e juramento. E depois foi a Castella Diego Lopez Pacheco, reçeber da Rainha Dona Johana, e do Iffamte Dom Joham, e dalguuns comdes, e prellados, e ricos homeens, que aimda nom jurarom, outorgamento dos ditos trautos; e na villa de Touro, omde emtom elRei era, no moesteiro de Sam Framçisco, alli jurarom todos em maãos do dito dellegado, que presemte estava, aos dez dias dagosto da dita era.
Anjo de Portugal, rogai por nós.

23.10.09

Porque é militar

O alarido à volta dos lamentáveis episódios de violência no Colégio Militar só se compreende se nos dermos conta de que se trata de um caso instrumentalizado pelas forças políticas revolucionárias, sempre à espreita de uma ocasião para destruir os pilares da civilização ocidental e as forças que a defendem, prontamente amplificado por media sedentos de sangue, quando não ideologicamente comprometidos. Carlos Velasco, n'O Gládio, a propósito da nomeação de Augusto Santos Silva para a pasta da Defesa, resume:
«(...) Não por acaso aparecem agora notícias que visam desacreditar o Colégio Militar, instituição que deveria servir de exemplo para todas as escolas da Nação. O barulho que fazem em torno de uma banalidade típica de todas as escolas e que deve ser combatida constantemente pelos responsáveis, o abuso dos menores pelos maiores, é simplesmente uma pequena parte de uma campanha intensa para destruir as forças armadas portuguesas e acabar com a soberania do país.

Se a atenção dada pelos media ao ensino nas escolas públicas em geral fosse proporcional ao que se vê neste caso, o país não falava de outra coisa a não ser acabar com a escola pública como ela é hoje; um centro de promoção da estupidez, do crime, do desrespeito ao próximo e da revolução.»

5.10.09

URSSE - ano zero

Melanie Phillips reflecte sobre o dilema com que David Cameron e o Reino Unido se deparam - e, na verdade, todos os cidadão da UE.
«(...) If this constitution comes into force, the EU will be changed, unalterably and for ever, into a wholly new entity: a 27-nation superstate with no democratic legitimacy which will nevertheless rule our lives - and, in all probability, with Tony Blair as its President. (...) [I]f this constitution comes into effect, Britain and the other EU member states will no longer be self-governing nations. Foreign policy, defence, social, economic and welfare policies, immigration, internal security — every national interest will be subordinated to this new anti-democratic entity. As such, ‘President’ Blair would be committing the single most treacherous act of all towards his own country — taking away its own democratic power of self-government. And as a zealot whose aim has always been to supersede the nation state by trans-national bodies which promise the arrival of the brotherhood of man, we can be sure that ‘President’ Blair would make full use of the despotic powers of the EU constitution to impose upon us all a frightening degree of uniformity and control. (...) Frankly, unless the Lisbon treaty is stopped, there is little point in Cameron or anyone else busting a gut to win the General Election, since Parliament will be reduced to the status of Westminster regional council in the empire of Euroland. (...) Indeed, even if he did hold a referendum on the Lisbon treaty and Britain voted ‘no’, this would still leave the crux of the problem unaddressed. For even without the constitution, the EU has already paralysed our ability to govern ourselves in myriad different ways. (...) From fishing bans to heavy-goods lorries, from extradition orders to low-energy light-bulbs, British governments can no longer act in this country’s national interest but must defer to the diktats of EU bureaucrats. Cameron says he wants to be in a European Union of nations trading with each other, not a political union. But that’s not what the EU is. It’s a political project to create a unified superstate. And the momentum for that is unstoppable. If we don’t want to be part of that, then we have to come out of the EU altogether. (...)»
Com efeito, parece já não haver uma terceira opção: com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa e com a constituição de facto de um super-estado europeu, ou nos conformamos com o processo federalista ou saímos da União. Não tinha que ser assim - uma união de países livres foi bem sucedida e podia continuar a sê-lo -, mas é este o ponto em que estamos.

"Pega numa viola, toca três acordes..."

A não perder as declarações feitas domingo por Rui Rio em reacção ao comício festa do PS realizado na véspera com as pessoas da "cultura" do Porto. Salte para os 18:50 minutos e divirta-se.

12.3.09

Prioridades

Se a celeridade na nomeação para os cargos de maior responsabilidade e poder na Administração americana for indício de alguma prioridade, então Obama está mais empenhado em constituir uma equipa para a Justiça que para o Tesouro. Para além de se constatar que os cargos mais importantes já estão preenchidos, pode-se também avaliar a direcção política que o Presidente pretende imprimir conhecendo os nomeados, como um anónimo americano - anónimo por medo de represálias - fez num texto publicado no Pajamas Media, cuja conclusão aqui deixo: «(...) In sum, President Obama has nominated individuals who are extremists on issues such as abortion, pornography, and euthanasia. He has nominated individuals who have demonstrated a palpable hatred for our military, whose members are fighting and dying to protect our freedom. He has nominated political partisans who helped provide pardons in exchange for political contributions and to secure votes, or who have chosen to represent terrorists trying to kill Americans. He has nominated individuals who want to disarm our military and intelligence services, and bring back the infamous days of the 1990s, when the Clinton Justice Department did everything it could to limit the effectiveness of our efforts against al-Qaeda.

There is no question that radical left-wing politics is going to take center stage in the policies of the Department of Justice over the next four years, to the detriment of all Americans and the well-being of our nation. As Leonard Leo of the Federalist Society has said, “We are on the brink of having the most Culture of Death, anti-family Justice Department ever.”»

18.2.09

A posição conservadora sobre o aborto

A posição conservadora sobre o aborto exposta com muita precisão, sem papas na língua, desde os aspectos mais ligeiros (se os há) até aos mais dramáticos e, muito importante, sem pedir desculpas por ser conservador. Ademais, com piada, expondo o ridículo e a hipocrisia da posição dita progressista. Zo rules!

29.1.09

Ilimitada disposição para acreditar II

Via Gates of Vienna, volto ao assunto da primazia das aparências e do contentamento fantasioso, porque não assente na realidade, face às medidas tomadas por Obama nas primeiras horas da sua administração. «(...) Some people didn't even seem to realize that there is a difference between word and deed. (...)» «(...) Fortunately for Mr. Obama, words in this case do speak louder than actions. (...)» «(...) It is not very clear, though, how much the president is in command of his own policy. During Friday's signing ceremony, Mr. Obama appeared not to know that he would be signing four separate orders and had to refer repeatedly to White House Legal Counsel Greg Craig for answers to questions from the media. Nor was he able to answer a question about the future of the detainees. For the Obama White House, closing Gitmo is essentially a symbolic action. (...)» Ler integralmente o texto de Helle Dale, da Heritage Foundation em The Washington Times.

A face que se oculta

O título deste postal alude a uma série de postais que me propus publicar dedicada a dar a conhecer o homem que dirigirá nos próximos quatro anos os destinos dos EUA. Neste postal se dá conta de que, apesar da popularidade da medida abaixo reportada, pelo menos nos meios ditos progressistas, o que norteia as decisões de Obama é, antes de qualquer outra coisa, o calculismo político, à semelhança do que já fez com o pretenso encerramento da prisão de Guantanamo e a putativa proibição do uso de métodos coercivos em interrogatórios conduzidos pelos serviços secretos norte-americanos.
«(...) Recall that Obama received the enthusiastic support of every pro-abortion organization and promised that the first thing he’d do in office was to sign the Freedom of Choice Act. Recall that Obama celebrated his election with NARAL head Nancy Keenan. Recall that Obama has packed his staff with members of the abortion lobby. So one would think that when the time came to sign the first big pro-choice order, the President would proudly march on to the front lawn of the White House surrounded by cheering throngs of abortion lobby officials and sign a blow-up of the order with a giant pen at high noon.

But what did he do? He scheduled the signing for a late Friday afternoon. He barred the media from the signing ceremony. The actual the text of the directive was not released until three hours later, after Obama had fled from the room.

When cockroaches wallow in filth, they like it quiet and they like it dark. They don’t like people to see what they’re doing, and disappear when the lights go on. All you see after they scurry away is their disease-ridden droppings. So I repeat: President Obama acted like a filthy, disease-ridden cockroach. The description is a behavioral one, not a genetic one. (...)»
(Destaques meus.) Ler tudo, em The Raving Theist

26.1.09

Ilimitada disposição para acreditar

Hoje, num telejornal, vi e ouvi um senhor identificado como ministro da Finlândia (salvo erro, dos negócios estrangeiros), a dizer, em inglês escorreito, que a nova administração americana tinha fechado Guantanamo. Assim, sem mais considerações. E isto a propósito de um assunto já por aqui abordado e agora claramente referido pelo nosso ministro dos negócios estrangeiros: a disposição portuguesa de receber prisioneiros de Guantanamo, aos quais os americanos não sabem muito bem o que fazer, porque não conseguiram reunir provas suficientes de modo a poder julgá-los por alegados actos terroristas. O que parece não suscitar grandes considerações aos nossos jornalistas e aos pretensos defensores dos direitos humanos, são as razões pelas quais estes indivíduos não podem ser repatriados. Parece que, se o fossem, se arriscavam a ser submetidos a tratamento desumano, que podia chegar até à pena de morte. A mim, isto desperta-me algumas perplexidades. Primeira: os americanos não os podem julgar e condenar, mas a justiça dos seus países de origem estaria disposta a fazê-lo. Então, a preocupação, dos pretensos defensores dos direitos humanos deveria alargar-se a todos os cidadãos desses países, sujeitos a sistemas de justiça e a penas desumanas. No entanto, os pretensos defensores dos direitos humanos parecem recuar perante a expansão da ideologia que ameaça implantar no Ocidente regimes semelhantes: o islamismo do Hamas, da Irmandade Muçulmana, e organizações análogas. Segunda perplexidade: então se os americanos nem com suposto recurso à tortura conseguiram reunir provas para incriminar estes presos e os vão libertar de Guantanamo - e aqui é preciso dizer que já o fizeram a.O., isto é, antes-de-Obama, não se podendo atribuir ao novel presidente esta proeza - então os americanos e o seu sistema paralelo de prisões não parecem ser tão cruéis e desumanos como alguns gostam de os retratar, certamente são-no menos do que os que os prisioneiros se arriscam a enfrentar nos seus países de origem. Isto não parece coisa de gente sã da cabeça. Nos Estados Unidos, alguns políticos a desempenhar cargos relevantes - governadores, senadores e congressistas - já disseram que não querem receber nos respectivos estados nenhum deste indivíduos. Nós por cá, abrimos-lhes os braços. Curioso também notar que, de acordo com notícia do Público, os países onde mais se têm feito sentir os efeitos da islamização - Holanda, Suécia, Dinamarca -, são os que se mostram indisponíveis para receber os alegados terroristas. Só a Espanha, governada pelos progressistas do PSOE, de entre os que já provaram os amargos frutos da jihad, parece disposta a acolher os prisioneiros, prestes a deixar de sê-lo. A Alemanha está dividida sobre as linhas que separam os partidos que constituem a coligação governamental, de acordo com a mesma notícia. Esta notícia não podia terminar sem apontar, alegadamente fazendo eco das declarações de duas organizações designadas como defensoras dos direitos humanos, a Guerra do Iraque como argumento para a angariação de recrutas para o terrorismos islâmico. Evidentemente, não conhecem, não percebem ou fingem não perceber a natureza da ameaça que pende sobre o Ocidente, na verdade sobre todo o mundo: a natureza totalitária e expansionista do islamismo e da jihad. Se lessem este blogue, já disso se teriam dado conta, bastando para isso seguir a hiperligação para a Jihad Watch.

4.1.09

Proporcionalidade

A propósito de "proporcionalidade", ler este texto, cujo sumário colo: «Israeli population centers in southern Israel have been the target of over 4,000 rockets, as well as thousands of mortar shells, fired by Hamas and other organizations since 2001. Rocket attacks increased by 500 percent after Israel withdrew completely from the Gaza Strip in August 2005. During an informal six-month lull, some 215 rockets were launched at Israel. The charge that Israel uses disproportionate force keeps resurfacing whenever it has to defend its citizens from non-state terrorist organizations and the rocket attacks they perpetrate. From a purely legal perspective, Israel's current military actions in Gaza are on solid ground. According to international law, Israel is not required to calibrate its use of force precisely according to the size and range of the weaponry used against it. Ibrahim Barzak and Amy Teibel wrote for the Associated Press on December 28 that most of the 230 Palestinians who were reportedly killed were "security forces," and Palestinian officials said "at least 15 civilians were among the dead." The numbers reported indicate that there was no clear intent to inflict disproportionate collateral civilian casualties. What is critical from the standpoint of international law is that if the attempt has been made "to minimize civilian damage, then even a strike that causes large amounts of damage - but is directed at a target with very large military value - would be lawful." Luis Moreno-Ocampo, the Chief Prosecutor of the International Criminal Court, explained that international humanitarian law and the Rome Statute of the International Criminal Court "permit belligerents to carry out proportionate attacks against military objectives, even when it is known that some civilian deaths or injuries will occur." The attack becomes a war crime when it is directed against civilians (which is precisely what Hamas does). After 9/11, when the Western alliance united to collectively topple the Taliban regime in Afghanistan, no one compared Afghan casualties in 2001 to the actual numbers that died from al-Qaeda's attack. There clearly is no international expectation that military losses in war should be on a one-to-one basis. To expect Israel to hold back in its use of decisive force against legitimate military targets in Gaza is to condemn it to a long war of attrition with Hamas.» Via Melanie Phillips.

16.12.08

"The Soviet Story"

Via Olavo de Carvalho, tomei conhecimento da existência de um filme que, pouco surpreendentemente, não passou no último DocLisboa, este ano tão político. Enquanto o cd não está à venda, pode ser visto no YouTube. Addendum: "The Soviet Story" agora também disponível no Google Video, em apenas um ficheiro e legendado em português do Brasil.

2.12.08

Dias difíceis para a democracia

Fazendo uso de terminologia eufemística para designar estratégias persecutórias e intimidatórias, a esquerda moderna, progessista e reformista vai-se aproximando cada vez mais da clássica, totalitária e revolucionária.

6.3.08

Intelectualidade de esquerda e banditismo

No seu artigo de 3 de Março para o Diário do Comércio, Olavo de Carvalho tece algumas considerações acerca da criminalidade e do banditismo e do seu impacto na sociedade brasileira, a propósito do filme "Tropa de Elite".

No meio das suas considerações, Olavo alude a um outro texto seu – Bandidos & Letrados – no qual analisa mais extensamente a relação entre o banditismo e um certo pensamento de esquerda.

Ora, estes dois textos são de particular actualidade numa altura em que, por cá, vivemos aquilo que designamos, de forma algo optimista, por onda de criminalidade violenta e que pode bem ser, esperemos que não, menos onda que maré.

A propósito desta onda, não tardaram as habituais reacções: da esquerda veio o já canónico mito do crime como reflexo das dificuldade económicas que o país atravessa, à qual, surpreendentemente – ou talvez não – se associou o líder do PSD, Luís Filipe Menezes. Do poder – que é como quem diz, da esquerda mais comprometida – veio a desvalorização do fenómeno, quer através de discursos de ministros, quer por meio da oportuna divulgação de estatísticas que pretendem contrariar a generalizada sensação de insegurança expressa pelos cidadãos e pelos agentes policiais; e veio o anúncio da elaboração de mais leis, de mais planos e de mais projectos que só na mente de quem os concebe – oh, inteligências preclaras – contribuirão para a resolução dos problemas da segurança dos cidadãos.

Quanto às origens do mito e quanto ao mito em si mesmo, a leitura do texto Bandidos & Letrados é particularmente esclarecedora, assim como também o é em relação à tibieza e inconsequência das propostas feitas pelos nossos governantes, razões mais que suficientes para tornar a sua leitura absolutamente indispensável.

Para ilustrar esta afirmação, colo algumas passagens:

«Entre as causas do banditismo carioca, há uma que todo o mundo conhece mas que jamais é mencionada, porque se tornou tabu: há sessenta anos os nossos escritores e artistas produzem uma cultura de idealização da malandragem, do vício e do crime.(…)»

«(…) Humanizar a imagem do delinqüente, deformar, caricaturar até os limites do grotesco e da animalidade o cidadão de classe média e alta, ou mesmo o homem pobre quando religioso e cumpridor dos seus deveres — que neste caso aparece como conformista desprezível e virtual traidor da classe —, eis o mandamento que uma parcela significativa dos nossos artistas tem seguido fielmente, e a que um exército de sociólogos, psicólogos e cientistas políticos dá discretamente, na retaguarda, um simulacro de respaldo "científico".

À luz da "ética" daí resultante, não existe mal no mundo senão a "moral conservadora". Que é um assalto, um estupro, um homicídio, perto da maldade satânica que se oculta no coração de um pai de família que, educando seus filhos no respeito à lei e à ordem, ajuda a manter o status quo? O banditismo é em suma, nessa cultura, ou o reflexo passivo e inocente de uma sociedade injusta, ou a expressão ativa de uma revolta popular fundamentalmente justa. Pouco importa que o homicídio e o assalto sejam atos intencionais, (…). A conexão universalmente admitida entre intenção e culpa está revogada entre nós por um atavismo marxista erigido em lei: pelo critério "ético" da nossa intelectualidade, um homem é menos culpado pelos seus atos pessoais que pelos da classe a que pertence.(…)»

«(…) É absolutamente impossível que a disseminação de tantas idéias falsas não crie uma atmosfera propícia a fomentar o banditismo e a legitimar a omissão das autoridades. O governante eleito por um partido de esquerda, por exemplo, não tem como deixar de ficar paralisado por uma dupla lealdade, de um lado à ordem pública que professou defender, de outro à causa da revolução com a qual seu coração se comprometeu desde a juventude, e para a qual a desordem é uma condição imprescindível.(…)»

«(…) De nada adianta a experiência universal ensinar-nos que a conexão entre miséria e criminalidade é tênue e incerta; que há milhares de causas para o crime, que mesmo a prosperidade de um wellfare State não elimina; que entre essas causas está a anomia, a ausência de regras morais explícitas e comuns a toda a sociedade; que uma cultura de "subversão de todos os valores" e a glamurização do banditismo pela elite letrada ajudam a remover os últimos escrúpulos que ainda detêm milhares de jovens prestes a saltar no abismo da criminalidade. Contrariando as lições da História, da ciência e do bom senso, nossos intelectuais continuam presos à lenda que faz do criminoso o cobrador de uma dívida social.(…)»

Mas o melhor é ler todo o artigo, seguir o encadeamento do raciocínio e da exposição do Olavo de Carvalho, acompanhar todas as ramificações apontadas.

5.2.08

A revolução insidiosa

Descobri o Olavo de Carvalho um pouco por acaso (quantas grandes descobertas são feitas por acaso), num processo tão típico dos nossos dias e das suas navegações cibernáuticas, através de uma hiperligação que leva a outra, e a outra ainda, tornando-se difícil, no fim, reconstituir o percurso. Comecei por ler os textos mais recentes que vai publicando em vários órgãos da imprensa brasileira; depois fui recuando para os mais antigos: a maioria dos textos são análises da realidade do Brasil, mas, na sua maioria, são plenamente compreensíveis para o leitor português normal – que não conhece a realidade brasileira – porque, mesmo quando fala sobre acontecimentos determinados e concretos da actualidade brasileira, Olavo de Carvalho fala de uma perspectiva assente em sólidos conhecimentos históricos, filosóficos, sociológicos e sempre com um aguçado sentido crítico. Depois comecei a ouvir o talkshow, onde se dá a conhecer um Olavo mais sanguíneo, desbocado, iracundo; neste dá também recomendações de leitura, as quais tenho procurado seguir. Passados alguns meses, posso dizer que Olavo de Carvalho é a personalidade que mais contribuiu para a definição da posição política que ocupo hoje. A leitura de alguns dos seus textos contribuiu para melhorar a minha compreensão de muitos fenómenos que me causam bastante desconforto. Depois de ler esses textos, esses fenómenos continuam a ser incómodos mas, ao ser capaz de os ver na perspectiva apontada por Olavo de Carvalho, ao desconforto provocado pelos fenómenos em si subtrai-se o incómodo de não os conseguir compreender. De entre esses textos começaria por destacar o segundo capítulo do livro “A Nova Era e a Revolução Cultural”: “Sto. Antonio Gramsci e a Salvação do Brasil.” Neste texto, Olavo faz uma apresentação crítica do pensamento do ideólogo marxista Antonio Gramsci, do seu ponto de partida, da sua estratégia, da aplicação da estratégia e faz o ponto da situação no Brasil dos anos 90 do sec. XX. É impossível ler este texto sem um sobressalto. Chega-se ao fim assustado mas mais alerta. E não se consegue deixar de reconhecer a situação descrita no Portugal dos primeiros anos deste século e no resto do mundo.

Colo a hiperligação para o texto completo: http://www.olavodecarvalho.org/livros/negramsci.htm

Colo também alguns destaques: “Gramsci transformou a estratégia comunista, de um grosso amálgama de retórica e força bruta, numa delicada orquestração de influências sutis, (…) mais perigosa, a longo prazo, do que toda a artilharia do Exército Vermelho. Se Lênin foi o teórico do golpe de Estado, ele foi o estrategista da revolução psicológica que deve preceder e aplainar o caminho para o golpe de Estado.” “Gramsci concebeu uma dessas idéias engenhosas, que só ocorrem aos homens de ação quando a impossibilidade de agir os compele a meditações profundas: amestrar o povo para o socialismo antes de fazer a revolução. Fazer com que todos pensassem, sentissem e agissem como membros de um Estado comunista enquanto ainda vivendo num quadro externo capitalista. (…)” “A estratégia de Gramsci virava de cabeça para baixo a fórmula leninista, na qual uma vanguarda organizadíssima e armada tomava o poder pela força, autonomeando-se representante do proletariado e somente depois tratando de persuadir os apatetados proletários de que eles, sem ter disto a menor suspeita, haviam sido os autores da revolução. A revolução gramsciana está para a revolução leninista assim como a sedução está para o estupro. Para operar essa virada, Gramsci estabeleceu uma distinção, das mais importantes, entre "poder" ( ou, como ele prefere chamá-lo, "controle" ) e "hegemonia". O poder é o domínio sobre o aparelho de Estado, sobre a administração, o exército e a polícia. A hegemonia é o domínio psicológico sobre a multidão. A revolução leninista tomava o poder para estabelecer a hegemonia. O gramscismo conquista a hegemonia para ser levado ao poder suavemente, imperceptivelmente. (…)”

Podia continuar a fazer destaques mas conseguiria apenas retalhar o texto, e o melhor é lê-lo todo.

Noutro postal a publicar brevemente pretendo apresentar um outro conjunto de textos muito elucidativos sobre a realidade do nosso tempo, os quais tratam do que Olavo designa por “Mentalidade Revolucionária”. Em conjunto com este que acabo de apresentar, constituem uma chave de leitura para alguns dos fenómenos políticos e sociais mais marcantes do sec. XX e do início do sec. XXI.