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8.5.10

Christianos ad leones

Videtote hispanicos sæculi vigesimi. Per litteras Luræ Grilli.
Algunos aspectos de la persecución religiosa en España durante la 2ª República y la Guerra Civil (1936-9). Influyó notablemente la educacíón anticatólica que desde casi 60 años antes ejerció la Institución Libre de Enseñanza, así como las logias masónicas y por supuesto el marxismo. Memoria histórica.

24.3.10

De dragone et educatione puerorum

Estreará mais um filme 3D chamado "Como treinares o teu dragão", cujo enredo fantasioso tem lugar no mediævo nórdico. Para Hiccup e os da sua aldeia natal viking atacada repetidas vezes por dragões pirómanos, a maior virtude que um homem pode ter é a de combater aqueles invasores alados. O jovem adolescente, inspirado pelos seus conterrâneos, aspira a demonstrar a sua maioridade exibindo-se na batalha, até que um dia encontra um dragão pacífico, o qual vem a domesticar com amizade. Sendo o ponto de contacto entre as duas espécies, Hiccup tenta pôr fim a uma guerra entre humanos e dragões, para o são convívio de todos. Veja os trailers português e norte-americano:
Que moral retirar desta história? Um pai que levar o seu filho a ver este filme, que lhe ensinará ele?
O mais biblista verá os sanctos lutando contra os demónios com as armas da fé e dos sacramentos, transmitidos ao longo de sæculos pela tradição da Egreja. Hiccup seria um heresiarca apóstata que pactua com o maligno a fim de conseguir a felicidade mundana para o seu povo, e a condenação eterna.
Já o pai mais positivista, e com queda para a psychanályse, explicará ao seu filho como curar a neurose de que todos nós padecemos, libertando-se dos constrangimentos do super ego e deixando o seu id florescer a seu bel-prazer. Por outro lado, o leitor mais assíduo deste blog identificará Hiccup com um esquerdista dhimi e naïf, um visionário iluminado e sacrificado (coitadinho...), que não pretende senão uma pás frutuosa com o islão, elucidando o seu povo sobre a sua antiga ignorância e obstinação em aceitar o estranho como sempre bom. E por aí adiante. Mas o que mais me preocupa (vamos dar de barato a virilização da rapariga) é a desautorização dos pais e o esbater da fronteira entre o bem e o mal. Qual é a ideia de mostrar num filme para putos que gerações consecutivas estiveram erradas e que para se ser feliz mais vale romper com a tradição dos pais do que seguir as suas passadas? Não será antes melhor os filhos seguirem a educação dos pais, que com certeza têm muitos defeitos, do que apagar o papel parental e passar a educação dos filhos para outrém que não a família? Desautorizar os pais é uma característica clássica dos regimes totalitários, desde o mundo antigo até ao hodierno. Já para não falar de que tal ruptura com a tradição é apresentada como solução para um eventual complexo de inferioridade, o qual como sabemos pode surgir na infância e início da adolescência, fruto da desadaptação da criança ao papel de adulto e da rejeição pelas outras crianças seus pares coætâneos. Até podemos traçar paralelos com a crise de identidade sexual experimentada pelas crianças adolescentes que mais tarde se rendem ao homossexualismo. Se não, leiamos a sinopse oficial:
"Esta divertida aventura que tem lugar no lendário mundo de Vikings corpulentos e dragões ferozes, baseada no livro de Cressida Cowell, conta a história de Hiccup, um jovem Viking que não se encaixa lá muito bem na tradição dos heróicos exterminadores de dragões.
A vida de Hiccup fica de pernas para o ar, quando encontra um dragão que o desafia a ele e a toda a sua tribo, a ver o mundo de uma nova perspectiva."
Depois vêm os problemas de consciência que o filme poderá causar. Os miúdos nestas idades precisam de saber que há coisas sempre más, e coisas sempre boas, e que são diferentes umas das outras. Ver um filme destes lança o precedente na cabeça da criança de que o bem nem sempre é bom, e o mal nem sempre é mau, e de que os culpados dos sofrimentos da criança são os erros dos adultos. Claro que nós, adultos de consciência (mais ou menos) bem formada, vamos tendo ao longo da vida essa experiência de aprendizagem, e as grandes questões para nós são as dilemmáticas, em que nem o sim nem o não estão certos, mas antes cabe-nos a nós sujeitos reformularmos a pergunta e encontrarmos uma terceira escolha mais perfeita, baseada no bem que temos por correcto. Mas, para uma criança, estas dúvidas são desestruturantes e nada benéficas. Como será o nosso mundo dentro de duas ou três gerações, se não houver consciência do bem e do mal?...
É óbvio que este filme é mais uma jogada dos revolucionários culturais para demolir a civilização e instaurar um regime tyrânico. Não é só nos filmes porno que se movem, nem nos restantes géneros do cinema, que já quase todos estão contaminados por certa agenda ideológica e política. Também devemos ter cuidado com os filmes para crianças, e sobretudo não dar a comer aos nossos filhos uma comida que não presta. Apelo a que os pais se informem sobre os filmes que deixam os filhos ver, nem os deixem à solta nessa escolha. Para o filme do dragão, poderão visitar os sites oficiais, português e americano. Mas também para os restantes filmes há recursos úteis. Por exemplo, a Conferência Episcopal Cathólica dos E.U.A. tem um site muito bom com uma breve sinopse, recomendações e classificação etária credível para quase todos os filmes exibidos nos States, tanto de agora como os já passados. Vão publicando à medida que os filmes estreiam. Deixo os elos para os critérios usados pelos censores, para uma lista dos melhores filmes de sempre e por década, e para o juízo emitido sobre este filme (muito menos alarmista que o nosso). Aconselho ainda o Father Robert Barron, que costuma dar as suas opiniões muito informadas sobre alguns filmes seleccionados. Quiçá se pronuncie sobre a dragonada.

29.11.09

The History of Political Correctness - Video

The History of Political Correctness ou do Marxismo Cultural. Muito instrutivo para perceber, para além do politicamente correcto, o multiculturalismo, o relativismo, os estudos de género, os estudos raciais, os revisionismos históricos à volta do imperialismo, do colonialismo e das religiões, os estudos raciais, a revolução sexual, em suma, os agentes corruptores da cultura ocidental.

21.1.09

Afinidades processuais

A reescrita da história de modo a ficar mais conforme à mitologia do poder e de acordo com os seus superiores desígnios é um dado conhecido na União Soviética, do que os sucessivos desaparecimentos do anais soviéticos do líderes revolucionários à medida que íam caindo em desgraça aos olhos de Staline é um notável exemplo. Ao que parece, esta estratégia não é usada exclusivamente pelos comunistas: também os seus aliados islamitas fazem uso dela, pelo menos de acordo com este postal do Gates of Vienna, que vai já para a lista das hiperligações.

16.12.08

"The Soviet Story"

Via Olavo de Carvalho, tomei conhecimento da existência de um filme que, pouco surpreendentemente, não passou no último DocLisboa, este ano tão político. Enquanto o cd não está à venda, pode ser visto no YouTube. Addendum: "The Soviet Story" agora também disponível no Google Video, em apenas um ficheiro e legendado em português do Brasil.

2.9.08

Comunismo - História de Uma Ilusão

A RTP 2 transmite esta semana - a semana que antecede a festa do partido do democídio -, entre e 5ª feira, o documentário em três partes Comunismo - História de Uma Ilusão. Desta vez o segundo canal da televisão pública não se limitará a passar o primeiro dos três episódios, como fez em Outubro passado para assinalar o nonagésimo aniversário da Revolução de Outubro. Um documentário a não perder. De lamentar a hora prevista para a transmissão: 23:25H. Não seria melhor passar este documentário em horário nobre, em lugar das pepineiras que transmitem entre as 21 e as 22H, inenarráveis documentários de canais de história, discoveries e odisseias? Seja como for, já é bom que o mostrem na íntegra. Já agora, a RTP 2 podia fazer com Comunismo - História de Uma Ilusão o mesmo que faz com alguns desses documentários de entreter: retransmiti-lo vezes sem conta.

6.3.08

Intelectualidade de esquerda e banditismo

No seu artigo de 3 de Março para o Diário do Comércio, Olavo de Carvalho tece algumas considerações acerca da criminalidade e do banditismo e do seu impacto na sociedade brasileira, a propósito do filme "Tropa de Elite".

No meio das suas considerações, Olavo alude a um outro texto seu – Bandidos & Letrados – no qual analisa mais extensamente a relação entre o banditismo e um certo pensamento de esquerda.

Ora, estes dois textos são de particular actualidade numa altura em que, por cá, vivemos aquilo que designamos, de forma algo optimista, por onda de criminalidade violenta e que pode bem ser, esperemos que não, menos onda que maré.

A propósito desta onda, não tardaram as habituais reacções: da esquerda veio o já canónico mito do crime como reflexo das dificuldade económicas que o país atravessa, à qual, surpreendentemente – ou talvez não – se associou o líder do PSD, Luís Filipe Menezes. Do poder – que é como quem diz, da esquerda mais comprometida – veio a desvalorização do fenómeno, quer através de discursos de ministros, quer por meio da oportuna divulgação de estatísticas que pretendem contrariar a generalizada sensação de insegurança expressa pelos cidadãos e pelos agentes policiais; e veio o anúncio da elaboração de mais leis, de mais planos e de mais projectos que só na mente de quem os concebe – oh, inteligências preclaras – contribuirão para a resolução dos problemas da segurança dos cidadãos.

Quanto às origens do mito e quanto ao mito em si mesmo, a leitura do texto Bandidos & Letrados é particularmente esclarecedora, assim como também o é em relação à tibieza e inconsequência das propostas feitas pelos nossos governantes, razões mais que suficientes para tornar a sua leitura absolutamente indispensável.

Para ilustrar esta afirmação, colo algumas passagens:

«Entre as causas do banditismo carioca, há uma que todo o mundo conhece mas que jamais é mencionada, porque se tornou tabu: há sessenta anos os nossos escritores e artistas produzem uma cultura de idealização da malandragem, do vício e do crime.(…)»

«(…) Humanizar a imagem do delinqüente, deformar, caricaturar até os limites do grotesco e da animalidade o cidadão de classe média e alta, ou mesmo o homem pobre quando religioso e cumpridor dos seus deveres — que neste caso aparece como conformista desprezível e virtual traidor da classe —, eis o mandamento que uma parcela significativa dos nossos artistas tem seguido fielmente, e a que um exército de sociólogos, psicólogos e cientistas políticos dá discretamente, na retaguarda, um simulacro de respaldo "científico".

À luz da "ética" daí resultante, não existe mal no mundo senão a "moral conservadora". Que é um assalto, um estupro, um homicídio, perto da maldade satânica que se oculta no coração de um pai de família que, educando seus filhos no respeito à lei e à ordem, ajuda a manter o status quo? O banditismo é em suma, nessa cultura, ou o reflexo passivo e inocente de uma sociedade injusta, ou a expressão ativa de uma revolta popular fundamentalmente justa. Pouco importa que o homicídio e o assalto sejam atos intencionais, (…). A conexão universalmente admitida entre intenção e culpa está revogada entre nós por um atavismo marxista erigido em lei: pelo critério "ético" da nossa intelectualidade, um homem é menos culpado pelos seus atos pessoais que pelos da classe a que pertence.(…)»

«(…) É absolutamente impossível que a disseminação de tantas idéias falsas não crie uma atmosfera propícia a fomentar o banditismo e a legitimar a omissão das autoridades. O governante eleito por um partido de esquerda, por exemplo, não tem como deixar de ficar paralisado por uma dupla lealdade, de um lado à ordem pública que professou defender, de outro à causa da revolução com a qual seu coração se comprometeu desde a juventude, e para a qual a desordem é uma condição imprescindível.(…)»

«(…) De nada adianta a experiência universal ensinar-nos que a conexão entre miséria e criminalidade é tênue e incerta; que há milhares de causas para o crime, que mesmo a prosperidade de um wellfare State não elimina; que entre essas causas está a anomia, a ausência de regras morais explícitas e comuns a toda a sociedade; que uma cultura de "subversão de todos os valores" e a glamurização do banditismo pela elite letrada ajudam a remover os últimos escrúpulos que ainda detêm milhares de jovens prestes a saltar no abismo da criminalidade. Contrariando as lições da História, da ciência e do bom senso, nossos intelectuais continuam presos à lenda que faz do criminoso o cobrador de uma dívida social.(…)»

Mas o melhor é ler todo o artigo, seguir o encadeamento do raciocínio e da exposição do Olavo de Carvalho, acompanhar todas as ramificações apontadas.

5.2.08

A revolução insidiosa

Descobri o Olavo de Carvalho um pouco por acaso (quantas grandes descobertas são feitas por acaso), num processo tão típico dos nossos dias e das suas navegações cibernáuticas, através de uma hiperligação que leva a outra, e a outra ainda, tornando-se difícil, no fim, reconstituir o percurso. Comecei por ler os textos mais recentes que vai publicando em vários órgãos da imprensa brasileira; depois fui recuando para os mais antigos: a maioria dos textos são análises da realidade do Brasil, mas, na sua maioria, são plenamente compreensíveis para o leitor português normal – que não conhece a realidade brasileira – porque, mesmo quando fala sobre acontecimentos determinados e concretos da actualidade brasileira, Olavo de Carvalho fala de uma perspectiva assente em sólidos conhecimentos históricos, filosóficos, sociológicos e sempre com um aguçado sentido crítico. Depois comecei a ouvir o talkshow, onde se dá a conhecer um Olavo mais sanguíneo, desbocado, iracundo; neste dá também recomendações de leitura, as quais tenho procurado seguir. Passados alguns meses, posso dizer que Olavo de Carvalho é a personalidade que mais contribuiu para a definição da posição política que ocupo hoje. A leitura de alguns dos seus textos contribuiu para melhorar a minha compreensão de muitos fenómenos que me causam bastante desconforto. Depois de ler esses textos, esses fenómenos continuam a ser incómodos mas, ao ser capaz de os ver na perspectiva apontada por Olavo de Carvalho, ao desconforto provocado pelos fenómenos em si subtrai-se o incómodo de não os conseguir compreender. De entre esses textos começaria por destacar o segundo capítulo do livro “A Nova Era e a Revolução Cultural”: “Sto. Antonio Gramsci e a Salvação do Brasil.” Neste texto, Olavo faz uma apresentação crítica do pensamento do ideólogo marxista Antonio Gramsci, do seu ponto de partida, da sua estratégia, da aplicação da estratégia e faz o ponto da situação no Brasil dos anos 90 do sec. XX. É impossível ler este texto sem um sobressalto. Chega-se ao fim assustado mas mais alerta. E não se consegue deixar de reconhecer a situação descrita no Portugal dos primeiros anos deste século e no resto do mundo.

Colo a hiperligação para o texto completo: http://www.olavodecarvalho.org/livros/negramsci.htm

Colo também alguns destaques: “Gramsci transformou a estratégia comunista, de um grosso amálgama de retórica e força bruta, numa delicada orquestração de influências sutis, (…) mais perigosa, a longo prazo, do que toda a artilharia do Exército Vermelho. Se Lênin foi o teórico do golpe de Estado, ele foi o estrategista da revolução psicológica que deve preceder e aplainar o caminho para o golpe de Estado.” “Gramsci concebeu uma dessas idéias engenhosas, que só ocorrem aos homens de ação quando a impossibilidade de agir os compele a meditações profundas: amestrar o povo para o socialismo antes de fazer a revolução. Fazer com que todos pensassem, sentissem e agissem como membros de um Estado comunista enquanto ainda vivendo num quadro externo capitalista. (…)” “A estratégia de Gramsci virava de cabeça para baixo a fórmula leninista, na qual uma vanguarda organizadíssima e armada tomava o poder pela força, autonomeando-se representante do proletariado e somente depois tratando de persuadir os apatetados proletários de que eles, sem ter disto a menor suspeita, haviam sido os autores da revolução. A revolução gramsciana está para a revolução leninista assim como a sedução está para o estupro. Para operar essa virada, Gramsci estabeleceu uma distinção, das mais importantes, entre "poder" ( ou, como ele prefere chamá-lo, "controle" ) e "hegemonia". O poder é o domínio sobre o aparelho de Estado, sobre a administração, o exército e a polícia. A hegemonia é o domínio psicológico sobre a multidão. A revolução leninista tomava o poder para estabelecer a hegemonia. O gramscismo conquista a hegemonia para ser levado ao poder suavemente, imperceptivelmente. (…)”

Podia continuar a fazer destaques mas conseguiria apenas retalhar o texto, e o melhor é lê-lo todo.

Noutro postal a publicar brevemente pretendo apresentar um outro conjunto de textos muito elucidativos sobre a realidade do nosso tempo, os quais tratam do que Olavo designa por “Mentalidade Revolucionária”. Em conjunto com este que acabo de apresentar, constituem uma chave de leitura para alguns dos fenómenos políticos e sociais mais marcantes do sec. XX e do início do sec. XXI.