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26.3.10

Gloria, laus, et honor tibi sit Rex Christe Redemptor cui puerile decus prompsit hossana pium. Ingrediente Domino in sanctam civitatem, hebræorum pueri resurrectionem vitæ pronuntiantes cum ramis palmarum 'Hossana ― clamabant ― in excelsis!'. A glória, o louvor e a honra, sejam para ti, Rei Cristo Redentor, ao qual o piedoso orgulho infantil cantou: 'Hossana!' Entrando o Senhor na cidade santa, as crianças dos hebreus anunciavam a Ressurreição e a Vida, e com ramos de palmeira, exclamavam: 'Hossana nas alturas!'
Stabat mater dolorosa juxta Crucem lacrimosa, dum pendebat Filius. Cuius animam gementem, contristatam et dolentem pertransivit gladius. O quam tristis et afflicta fuit illa benedicta mater Unigeniti! Quæ mærebat et dolebat, et tremebat, dum videbat nati pœnas inclyti. Quis est homo qui non fleret, Christi matrem si videret in tanto supplicio? Quis non posset contristari piam Matrem contemplari dolentem cum Filio? Pro peccatis suæ gentis vidit Iesum in tormentis, et flagellis subditum. Vidit suum dulcem Natum moriendo desolatum, dum emisit spiritum. Eia, Mater, fons amoris me sentire vim doloris fac, ut tecum lugeam. Fac, ut ardeat cor meum in amando Christum Deum ut sibi complaceam. Sancta Mater, istud agas, crucifixi fige plagas cordi meo valide. Tui Nati vulnerati, tam dignati pro me pati, pœnas mecum divide. Fac me tecum pie flere, crucifixo condolere, donec ego vixero. Juxta Crucem tecum stare, et libenter sociare in planctu desidero. Virgo virginum præclara, mihi iam non sis amara, fac me tecum plangere. Fac, ut portem Christi mortem, passionis fac consortem, et plagas recolere. Fac me plagis vulnerari, Cruce hac inebriari, ob amorem Filii. Inflammatus et accensus, per te, Virgo, sim defensus in die iudicii. Fac me cruce custodiri, morte Christi præmuniri, confoveri gratia. Quando corpus morietur, fac, ut animæ donetur Paradisi gloria in sempiterna sæcula. Amen.Estava em pé a Mãe dorida, chorando junto à cruz, enquanto o Filho pendia. Cuja alma gemendo, entristecida e doendo, um gládio atravessou. Oh! Quão triste e afligida foi aquela bendita, a Mãe do Unigénito! A qual se enlutava e sofria, e tremia enquanto via as penas do Glorioso dela nascido. Qual é o homem que não choraria, se visse a mãe do Cristo em tamanho suplício? Quem não se entristeceria ao contemplar a piedosa mãe, sofrendo com o Filho? Pelos pecados da sua gente, ela viu Jesus em tormentos, do flagelo sendo súbdito. Viu o seu doce bebé morrendo desolado, e entregando o espírito. Ó Mãe, fonte do amor, faz-me sentir a força da dor, para contigo me enlutar. Faz que o meu coração arda de amor por Cristo Deus, para Lhe agradar. Santa Mãe, para que faças isso, fixa as chagas do Cruxifixo no meu coração, com força. Do teu Filho ferido, que por mim se dignou padecer, as penas divide, comigo. Faz-me chorar contigo, piedosamente, e condoer-me do Cruxifixo, enquanto eu fôr vivo. Desejo estar contigo, junto à Cruz, e com gosto me associo ao teu pranto. Ó Virgem das virgens, ilustríssima, agora não me sejas amarga, deixa-me chorar contigo. Faz que eu carregue a morte de Cristo, faz-me consorte da Paixão, e que eu de novo cultive as Chagas. Faz-me ferido de Chagas, que nesta Cruz eu me embriague com o amor do teu Filho. Abrasado e ardendo, por ti, Virgem, seja eu defendido no dia do Juízo. Faz-me ser guardado pela Cruz, pela morte de Cristo fortalecido, e pela graça confortado. Quando o corpo morrer, faz que à alma seja dada a glória do Paraíso para todo o sempre. Ámen
Verbe égal au Très-Haut, notre unique espérance, jour éternel de la terre et des cieux, de la paisible nuit nous rompons le silence: Divin sauveur, jette sur nous les yeux. Répands sur nous le feu de ta grâce puissante Que tout l'enfer fuie au son de ta voix Dissipe le sommeil d'une âme languissante Qui la conduit à l'oubli de tes lois! Ô Christ ! sois favorable à ce peuple fidèle, Pour te bénir maintenant assemblé ; Reçois les chants qu'il offre à ta gloire immortelle, Et de tes dons qu'il retourne comblé.Verbo igual ao Altíssimo, nossa única esperança, dia eterno da terra e dos céus, eis que rompemos o silêncio da noite quieta: Divino Salvador, dirige-nos o teu olhar! Espalha sobre nós o fogo da tua graça potente, que todo o inferno fuja ao som da tua voz. Dissipa o sonho duma alma lânguida, que a conduz ao esqueciemento das tuas leis! Ó Cristo, sê favorável a este povo fiel, Para te bendizer agora reunido. Recebe os cantos que ele oferece à tua glória imortal, e os teus dons, que ele devolve satisfeito.

24.3.10

De dragone et educatione puerorum

Estreará mais um filme 3D chamado "Como treinares o teu dragão", cujo enredo fantasioso tem lugar no mediævo nórdico. Para Hiccup e os da sua aldeia natal viking atacada repetidas vezes por dragões pirómanos, a maior virtude que um homem pode ter é a de combater aqueles invasores alados. O jovem adolescente, inspirado pelos seus conterrâneos, aspira a demonstrar a sua maioridade exibindo-se na batalha, até que um dia encontra um dragão pacífico, o qual vem a domesticar com amizade. Sendo o ponto de contacto entre as duas espécies, Hiccup tenta pôr fim a uma guerra entre humanos e dragões, para o são convívio de todos. Veja os trailers português e norte-americano:
Que moral retirar desta história? Um pai que levar o seu filho a ver este filme, que lhe ensinará ele?
O mais biblista verá os sanctos lutando contra os demónios com as armas da fé e dos sacramentos, transmitidos ao longo de sæculos pela tradição da Egreja. Hiccup seria um heresiarca apóstata que pactua com o maligno a fim de conseguir a felicidade mundana para o seu povo, e a condenação eterna.
Já o pai mais positivista, e com queda para a psychanályse, explicará ao seu filho como curar a neurose de que todos nós padecemos, libertando-se dos constrangimentos do super ego e deixando o seu id florescer a seu bel-prazer. Por outro lado, o leitor mais assíduo deste blog identificará Hiccup com um esquerdista dhimi e naïf, um visionário iluminado e sacrificado (coitadinho...), que não pretende senão uma pás frutuosa com o islão, elucidando o seu povo sobre a sua antiga ignorância e obstinação em aceitar o estranho como sempre bom. E por aí adiante. Mas o que mais me preocupa (vamos dar de barato a virilização da rapariga) é a desautorização dos pais e o esbater da fronteira entre o bem e o mal. Qual é a ideia de mostrar num filme para putos que gerações consecutivas estiveram erradas e que para se ser feliz mais vale romper com a tradição dos pais do que seguir as suas passadas? Não será antes melhor os filhos seguirem a educação dos pais, que com certeza têm muitos defeitos, do que apagar o papel parental e passar a educação dos filhos para outrém que não a família? Desautorizar os pais é uma característica clássica dos regimes totalitários, desde o mundo antigo até ao hodierno. Já para não falar de que tal ruptura com a tradição é apresentada como solução para um eventual complexo de inferioridade, o qual como sabemos pode surgir na infância e início da adolescência, fruto da desadaptação da criança ao papel de adulto e da rejeição pelas outras crianças seus pares coætâneos. Até podemos traçar paralelos com a crise de identidade sexual experimentada pelas crianças adolescentes que mais tarde se rendem ao homossexualismo. Se não, leiamos a sinopse oficial:
"Esta divertida aventura que tem lugar no lendário mundo de Vikings corpulentos e dragões ferozes, baseada no livro de Cressida Cowell, conta a história de Hiccup, um jovem Viking que não se encaixa lá muito bem na tradição dos heróicos exterminadores de dragões.
A vida de Hiccup fica de pernas para o ar, quando encontra um dragão que o desafia a ele e a toda a sua tribo, a ver o mundo de uma nova perspectiva."
Depois vêm os problemas de consciência que o filme poderá causar. Os miúdos nestas idades precisam de saber que há coisas sempre más, e coisas sempre boas, e que são diferentes umas das outras. Ver um filme destes lança o precedente na cabeça da criança de que o bem nem sempre é bom, e o mal nem sempre é mau, e de que os culpados dos sofrimentos da criança são os erros dos adultos. Claro que nós, adultos de consciência (mais ou menos) bem formada, vamos tendo ao longo da vida essa experiência de aprendizagem, e as grandes questões para nós são as dilemmáticas, em que nem o sim nem o não estão certos, mas antes cabe-nos a nós sujeitos reformularmos a pergunta e encontrarmos uma terceira escolha mais perfeita, baseada no bem que temos por correcto. Mas, para uma criança, estas dúvidas são desestruturantes e nada benéficas. Como será o nosso mundo dentro de duas ou três gerações, se não houver consciência do bem e do mal?...
É óbvio que este filme é mais uma jogada dos revolucionários culturais para demolir a civilização e instaurar um regime tyrânico. Não é só nos filmes porno que se movem, nem nos restantes géneros do cinema, que já quase todos estão contaminados por certa agenda ideológica e política. Também devemos ter cuidado com os filmes para crianças, e sobretudo não dar a comer aos nossos filhos uma comida que não presta. Apelo a que os pais se informem sobre os filmes que deixam os filhos ver, nem os deixem à solta nessa escolha. Para o filme do dragão, poderão visitar os sites oficiais, português e americano. Mas também para os restantes filmes há recursos úteis. Por exemplo, a Conferência Episcopal Cathólica dos E.U.A. tem um site muito bom com uma breve sinopse, recomendações e classificação etária credível para quase todos os filmes exibidos nos States, tanto de agora como os já passados. Vão publicando à medida que os filmes estreiam. Deixo os elos para os critérios usados pelos censores, para uma lista dos melhores filmes de sempre e por década, e para o juízo emitido sobre este filme (muito menos alarmista que o nosso). Aconselho ainda o Father Robert Barron, que costuma dar as suas opiniões muito informadas sobre alguns filmes seleccionados. Quiçá se pronuncie sobre a dragonada.